capitulo 4

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Depois de arrumar a salinha, eu peguei o celular e comecei a pesquisar novas flores para eu plantar e cuidar. Sentei no tapete com as almofadas e comecei a estudar mais um pouco sobre japonês. Ainda faltava uns 20 minutos para o treino acabar então eu tinha tempo.

- ohayou gozaimasu significa bom dia, konnichiwa significa boa tarde, konbawa significa boa noite.

- na verdade é konbanwa. - ouvi uma voz na porta da salinha.

-kei ? Ja acabou o treino ?

-sim, faz uns 20 minutos. Mas você não estava no portão, então achei que estaria aqui.

- desculpe se te causei incômodo, já estou indo. - catei minhas coisas e guardei na bolsa, me levantei de costas para ele e vi que o mesmo estava parado na porta. - algum problema ?

-eh, eh, n-nao- ele gaguejou ?

-por que gaguejou? E por que está ficando vermelho?- ele apontou para minha saia e percebi que do lado ela estava levantada, aparecendo um pedacinho da minha calcinha. - ah, me desculpa. Por favor, foi sem querer.

- eu n-não estou ver-ermelho e nem gaguejando. - ele fechou o rosto e se virou de costas. Arrumei minha sala e fomos em direção a saída do clube. Tranquei a porta e descemos indo em direção ao portão.

- cadê o pessoal?

-eles foram embora depois do treino e eu fui te procurar, está me devendo uma. - ele disse e virou o rosto ajeitando o óculos

- como quiser, então vamos. - fomos indo embora e o caminho estava silencioso. Estava olhando para o chão pois estava com vergonha do que tinha acontecido mais cedo. - vou parar em casa para trocar de roupa e ir até a sua para estudar ok ?

- sua casa é aqui, podemos estudar aqui mesmo. A não ser que tenha algo a me esconder.- ele fez uma cara de deboche que começou a me irritar.

- tá, entra. - entramos pelo portão e eu fechei, fomos até a porta principal- mãe, cheguei. Trouxe um amigo pois vamos estudar tá?

- sem problema querida, vou fazer o jantar.- ela olhou para ele de cima a baixo e sorriu. - você é muito bonito, é seu namorado filha?

- MÃE? PARA. É só um amigo. - fiquei vermelha, peguei na mão do Kei e arrastei para o meu quarto.- as vezes ela fala pelos cotovelos sabe Kei.

-hm, já pode soltar minha mão não acha?- percebi que ainda estava segurando a mão do mesmo e soltei.- caham, vamos estudar, pega seu material. - ele se sentou no tapete do meu quarto de frente pra mesinha e eu sentei na frente dele.

-por onde começamos? Matemática? Física, biologia?- perguntei folheando o caderno.

- que tal, melhorar sua gramática, você ainda não fala direito, projeto de gente.- ele abriu o caderno dele, ele era bem organizado.- abre seu livro de gramática. Pega o principio da gramática e vamos ler.

Ficamos lendo de como a gramática japonesa surgiu e o Kei ficou me ajudando na pronúncia. Mesmo sendo rude, ele é um bom professor. Ele falando sobre a história da língua dele, é algo tão bonito sabe.

- alô, Terra chamando tampinha. Tampinha na escuta ?- olhei para o mesmo e pela sua expressão, percebi que ele tinha me chamado mais de uma vez.

- me desculpa, eu estava desconcentrada.

-tem algo no meu dente? Por que estava olhando pra minha boca?- ele fez uma cara de irritado que eu acabei ficando com medo.

- eu sinto muito- voltei a escrever com vergonha do que eu estava fazendo.

- termina essa página e a gente encerra por hoje- ele disse enquanto se alongava para trás. Depois de uns 10 minutos eu terminei.

- aqui, ficou bom ?- perguntei sorrindo e mostrando o caderno para o mesmo.

- está horrível, sua letra é muito ruim- ele me olhou com total desdenho e eu me senti mal por isso, pois no fundo eu sabia que não servia para aquilo.

- eu sinto muito- senti uma lágrima querer sair mas eu segurei e comecei a me levantar para limpar o rosto sem que ele visse, mas ele me segurou pelo braço.

-o que houve?- ele me olhou nos olhos e eu senti mais vontade ainda de chorar. Limpei meu rostos e sorri.

- nada, hehe. Bom, eu já terminei o exercício, vou te levar no portão.- me ajeitei e fiquei de pé. Ele pegou a bolsa dele e fomos descer as escadas para ele ir embora.

-tchau dona mãe de Maria, foi um prazer conhecê-la, thauzinho irmão de Maria e tchau pai de Maria.

- pode me chamar de mãe Kei. - minha mãe disse sorrindo.

- como quiser mãe- ele sorriu de volta, parece que ele não é nem um pouco rude.

- já chega com essa palhaçada, vamos logo kei.- fomos até o portão e ele ficou parado.- o que houve? Esqueceu algo ?

- você é burra ?tô esperando a despedida.

-do que você está falando Kei?

- aff- ele segurou minha mão e me puxou para perto, me deu um abraço e eu que fiquei sem reação dessa vez. Até que eu levei os braços até o pescoço do mesmo para retribuir o abraço. Ele era tão quente e aquele abraço estava tão confortável, não queria soltar, e algo me dizia que ele também não queria soltar.- você passou cola? Tá agarrada por que? - soltei o abraço.

- doce feito coice de mula. Até amanhã Kei

-tchau projeto de gente.



Mudança Para O Japão ( Tsukishima)Onde histórias criam vida. Descubra agora