Da calmaria á tempestade

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Ao chegarem na casa de Arthur se deram conta de que já estava bem tarde.

— Boa noite Pai, boa noite mãe — disse Arthur ao entrar em sua casa e se deparar com seus pais sentados cada um em uma enorme poltrona de couro, lendo livros.

— Boa noite — Falou Aygon entrando logo após Arthur.

— Boa noite meninos, fiquem à vontade — respondeu a mãe de Arthur, uma senhora de cabelos brancos e rosto redondo, com um enorme pijama largo e rosa, enquanto folheava seu livro de ervas medicinais.

— Não esqueça que você tem q estudar meu filho, então não demore muito — falou o pai do garoto que também tinha seus cabelos e barba grisalhos.

— Tudo bem, vai ser rápido, quando a Karen chegar fala pra ela descer ao porão.

— Dois homens com uma mulher no porão... os tempos mudaram mesmo não é querida.

— O seu relacionamento com a Karen é tão aberto assim meu filho? — disse a mãe tentando provoca-lo enquanto tentava conter o riso.

Arthur ergueu o dedo indicador para argumentar com seus pais, mas não cedeu as brincadeiras, simplesmente balançou sua cabeça discordando e desceu para o porão junto com Aygon, que soltava leves risos.

O porão de sua casa era uma desordem, havia tantas bugigangas e papéis ali que era difícil de se mover.

— Você vai ficar impressionado — disse Arthur enquanto adentrava no meio da bagunça, se espremendo naquele pequeno cômodo.

— Espero que... — falava Aygon, antes de bater sua cabeça em algo feito de madeira, o objeto tinha o formato de uma pequena cabeça — realmente me surpreenda.

— ENCONTREI — gritou Arthur pegando um objeto em uma velha mesa redonda cheia de mais tralhas, localizada bem no centro do porão.

— Isso não parece algo que irá revolucionar a guerra — disse Aygon olhando para a invenção nas mãos de Arthur e tentando imaginar o quão aquela pequena coisa poderia ser perigosa.

— Eu irei mostrar pra você, agora vamos subir e esperar a Karen lá em frente de casa, não quero que ela veja essa bagunça.

— Tarde demais — falou Karen logo após abrir a porta do porão — Pelos deuses... Que bagunça é essa Arthur.

— NOSSA, VO- VOCÊ, FOI RÁPIDA — gaguejava Arthur subindo os degraus do porão constrangido.

— Logo que vocês saíram o Sr. Wilson chegou, tentei alcançar vocês, mas não consegui.

— É, somos rápidos mesmo, vamos subir logo Aygon.

— Temos que ser rápidos mesmo, afinal já está tarde e pela primeira vez minha mãe pediu pra eu não voltar a noite — exclamou Aygon, subindo os degraus logo atrás de Arthur.

— Pelo jeito meus pais já subiram para o quarto deles — afirmou Arthur passando pela sala.

— Caramba, mas eles estavam aqui agora mesmo —murmurou Aygon.

— Quando eu cheguei falaram pra eu descer no porão e já estavam subindo para o quarto deles — explicou Karen.

— Façam silencio não vão querer acorda-los — cochichou Arthur.

Ambos caminharam em silêncio, na ponta dos pés, para fora da casa.

— Pronto agora irei apresentar há vocês minha brilhante invenção — disse Arthur com as mãos atrás de suas costas, na tentativa de esconder o objeto.

— Eu já vi essa coisa lá embaixo, não precisa esconder, só fala pra que serve.

— Coisa não Aygon, essa invenção já tem nome, e eu a nomeei de.... — falava Arthur até dar uma pausa  para fazer um certo drama — ARTHUR — completou, tirando suas mãos de trás das costas, revelando sua invenção.

Era algo feito de madeira, como todas as invenções dele, tinha uma no centro no formato de uma colher amarrado por uma corda, e duas outras madeiras sustentando.

— Você deu seu próprio nome para sua invenção? — perguntou Aygon inconformado.

— E qual o problema, vocês sabem qual era o nome do cara que inventou o lampião?

— Lampião? — respondeu Karen inocentemente.

— Não ele se chamava Hony — respondeu Arthur.

— E o que isso tem haver? — questionou novamente Aygon com os braços cruzados.

— Tem haver que a invenção era dele e ele pôs o nome que quis.

— Tudo bem, que seja, e para que serve essa brilhante invenção — questionou a garota ironicamente.

— Olha essa parte de madeira que é semelhante a uma colher serve para colocarmos uma pedra nela, veja.

Arthur se agachou e pegou uma pequena pedra que estava no chão.

— Depois de posicionar a pedra, é só soltar essa corda q está segurando a madeira, q ela vai flexionar para frente com força, arremessando a pedra para o lugar que você mirar.

Arthur fez como falou, e a pedra foi arremessada para alguns metros de distância.

— VIRÃO SÓ? — gritou o jovem todo animado

— Olha é muito legal sabe..., mas isso não é uma catapulta? —perguntou Karen.

— Cata o que?

— Catapulta, essa sua brilhante invenção já existe a anos — disse Aygon, na tentativa falha de segurar os risos.

Sem conseguir se conter Karen também começou a rir.

— Não estou vendo graça nenhuma, eu nunca ouvi falar de uma invenção com nome de catapulta, aliás que porcaria de nome!

Karen conseguiu controlar os risos e se direcionou até Arthur, logo em seguida segurou as mãos do jovem que estava emburrado e soltou um leve sorriso de reconforto.

— Desculpe os risos Arthur, a ideia foi brilhante mesmo, uma pena alguém ate-la antes de você.

Os olhos de Arthur se encontraram com os de Karen, e seu coração começou a acelerar, ao sentir seu rosto aquecendo, deu um passo para trás e virou seu rosto para o lado.

— Isso mesmo podem me aplaudir eu sou INCRI... — PLAAF — falava Arthur até ser interrompido por um súbito barulho.

Ao olharem para o lado se depararam com Aygon caído inconsciente.  

— AYGON — gritou Karen ajoelhando-se em frente ao corpo do jovem, enquanto colocava rapidamente a cabeça dele sobre suas pernas.

— Droga vou chamar meus pais — disse Arthur se direcionando para a porta de sua casa.

Foi quando ambos viram uma forte luz azul saindo da mão direita de Aygon e emitindo estranhos ruídos. 


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Regressão: A quebra do espelhoOnde histórias criam vida. Descubra agora