Vigaristas

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Enquanto aguardava a moça, Klauris ia fechando seu bar, quando o dono do anel apareceu em frente a porta que estava entre aberta.

— Eu disse que iria voltar meu camarada — respondeu o sujeito já não tão bêbado.

Klauris ao vê-lo se direcionou até a porta.

— Você se provou realmente uma pessoa honesta, qual seu nome?

— Me chamo Astolfo, senhor.

Astolfo colocou a mão em seu bolso e retirou as moedas que devia.

— Olha, estão aqui suas 5 moedas, desculpe o transtorno — disse ele estendendo sua mão esquerda.

Klauris sem prolongar pegou as moedas.

— Sem problemas, agora esta tarde tenho que fechar esse bar — respondeu se virando de costa.

— Certo, poderia então devolver meu anel, para que eu possa ir descansar? — disse Astolfo com seus olhos castanhos caídos e expressão de cansaço explicita em seu rosto.

— Ah o anel... — Eu gostei muito dele não gostaria de vende-lo?— perguntou Klauris enquanto passava a mão direita sobre sua nuca.

— Não está à venda não, sinto muito como falei tem um enorme valor sentimental.

— Eu te dou 50 moedas de prata — barganhou Klauris.

— Fico lisonjeado, porém não está à venda mesmo, poderia devolver?

— 100 moedas meu amigo, você sabe que esse anel não vale tudo isso — Insistiu o dono do bar.

— Senhor estou cansado, já falei que meu anel não está à venda — disse o homem se exaltando.

— Calma, calma não precisa se irritar, entre aqui irei te fazer minha última ofertai.

Astolfo seguiu Klauris até seu balcão com a cara fechada, atrás dele havia um cofre que rapidamente Klauris abriu rodando os números corretos.

— Eu te ofereço toda minha economia neste anel, 500 moedas de prata.

Astolfo se surpreendeu ao ver todas aquelas moedas.

— Pelos deuses senhor, eu nunca vi tantas moedas assim.

— Não sei por que você quer tanto o anel, porém acho que esse preso é mais que suficiente —disse Astolfo que mal conseguia desviar os olhos daquele saco de moedas.

— Toma então pode levar — falou Klauris retirando o enorme saco de moeda do cofre e colocando sobre as mãos de Astolfo.

— Você tem certeza disso senhor, é só um anel velho de família.

— Tenho sim meu caro, na verdade esse anel me fez lembrar minha falecida mãe — respondeu Klauris enquanto uma triste expressão ia surgindo em seu rosto.

— Bom você é quem sabe, eu vou indo, obrigado por essa troca, esse dinheiro irá ajudar muito vou poder comprar coisas melhores para meus filhos, talvez até mesmo arrumar uma casa melhor.

— Boa sorte para você, use bem esse dinheiro o juntei durante dois longos anos — disse Klauris enquanto caminhava até a saída acompanhando Astolfo.

— Pode ter certeza que irei cuidar.

Ao chegar em seu cavalo, amarrou o saco de moedas e rapidamente o montou, saindo a cavalgar.

E ao ver ele indo embora o coração de Klauris começou a acelerar.


[...]


Enquanto seguia rumo a Catagan pela estrada principal, Astolfo sentiu que havia alguém o observando e começou a cavalgar mais rápido, porem foi surpreendido quando saiu do meio de um buraco que tinha na enorme montanha ao redor da estrada, um sujeito com capuz no rosto e um enorme sobretudo preto montado em um cavalo.

Astolfo sem muitas opções teve que parar devido ao sujeito ter entrado em sua frente naquela estrada estreita.

— Ora, ora, o que será que temos nesse enorme saco? — disse o sujeito encapuzado, descendo de seu cavalo com uma espada em mãos.

— Por favor são minhas economias, é tudo que eu tenho — respondeu Astolfo.

— DESÇA AGORA DESSE CAVALO — gritou o sujeito encapuzado totalmente exaltado, enquanto se aproximava.

Astolfo fez como ordenado e caminhou até próximo ao homem.

— Meus filhos vão ficar sem comer se você levar meu dinheiro.

— E quem aqui disse que eu quero esse seu dinheiro?

— Não quer o dinheiro? O que você quer então?

O sujeito de capuz se aproximou ainda mais e quando seus rostos estavam bem próximo ele respondeu.

— Eu quero você — sussurrou.

O sujeito misterioso ergueu seu capuz que cobria todo rosto, deixando apenas sua boca exposta, e em seguida agarrou fortemente a cintura de Astolfo dando-lhe um beijo.

Enquanto se beijavam, Astolfo foi tirando o sobretudo do sujeito que escondia um enorme vestido vermelho por baixo.

— Você não fica bem com esses vestidos de princesas — disse Astolfo.

— E você é um péssimo falso bêbado, não sei como acreditam. Sem falar que também é péssimo em escolher nomes, Astolfo, pelos deuses quem se chama Astolfo? — disse a bela moça de pele parda tirando o resto do capuz.

— Eu sempre quis ser chamado de Astolfo meu amor.

— Mas infelizmente se chama Danjo — quantos conseguimos?

— Olha, meu grande amigo me deu 500 moedas de prata.

— 500? Temos que comemorar isso — falou a mulher tirando agora sua peruca loira e revelando seus curtos cabelos escuros.

— Meu amor, antes me ajude a tirar esse bigode aqui, depois pensamos em comemorar.

— Tudo bem, eu te ajudo com esse bigode — sussurrou em seu ouvido — E depois você me ajuda com esse vestido — completou a mulher pegando a mão de Danjo e colocando em seu traseiro. Logo em seguida puxou o bigode com força.

— AIIIIII — gritou alto o suficiente para que ecoasse por todos os lados.

— Silêncio meu amor, eu vou compensar essa dor da melhor forma — disse a moça passando as mãos lentamente na virilha do homem.

Danjo no mesmo instante começou a beija-la suavemente em seu pescoço e lentamente foi subindo para o rosto.

— Está quente aqui, não é? — falou o homem começando a se despir.

Quando Danjo estava vestindo apenas uma roupa intima branca, escutou um barulho vindo de uns arbustos perto da montanha.

— Você ouviu isso? — disse a mulher.

— Ouvi sim.

— Vá logo ver o que é — falou ela enquanto empurrava o homem assustado.

Danjo pegou a espada e foi se aproximado bem devagar, enquanto ouvia pequenos gemidos constantes, vindo dos arbustos.


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Regressão: A quebra do espelhoOnde histórias criam vida. Descubra agora