Cap 5: O barco das velas vermelhas

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    Tayron estava nos corredores do castelo de Brevor,parado na frente da sala do trono,estendeu a mão para poder entrar mas optou por dar meia volta e se afastar até que escutou um pedido de socorro do seu irmão do outro lado daquela porta,o garoto correu e entrou rapidamente,porém tudo que viu lá foi a cadeira onde o antigo rei costumava sentar,próximo dela havia três pedestais,ele se aproximou para poder ver melhor os objetos que estavam sobre eles,o primeiro tinha um colar na forma de um machado com duas lâminas,o segundo tinha um rubi que o garoto já vira antes mas não lembrava se estava enfaixado por ataduras de aspecto velho,o terceiro possuía algemas presas a correntes pintadas de branco.
Ele assustou-se quando a pouca luz que entrava por uma das janelas mostrou alguém ocupando o trono que a momentos antes estava vazio,o garoto deu alguns passos para trás sem tirar os olhos da figura a sua frente,era o antigo rei de Brevor mas metade de seu corpo era de outro homem que tinha sombras com consciência própria envolta apenas em uma das partes,estava dividido meio a meio como duas pessoas numa só.
-Covarde,até quando você vai fugir ?-Disse o homem ainda sentado no trono. De repente a sala começou a pegar fogo,o lugar todo estava sendo queimado,as cortinas da janela foram a primeira parte que foi incendiada e logo depois o chão inteiro. Os gritos de seu irmão começaram a fazer parte da sonoridade do local junto com o barulho de peças queimando e o garoto apenas tampou os ouvidos com as mãos em uma tentativa de bloquear aqueles sons enquanto caia sem forças de joelhos no chão.

    O garoto de cabelos ruivos e olhos verdes acordou quando sentiu uma dor no rosto,tinha caído da rede em que dormia por conta desse maldito pesadelo que depois de anos voltou para lhe assombrar.
-Tayron?-A voz de uma senhora se fez presente no espaço.
- Eu estou bem.-Respondeu em antecipação a pergunta que na visão dele seria feita.
- Eu não perguntei nada,só ia dizer pra da próxima vez tentar cair mais silenciosamente,pois tem gente tentando dormir aqui.-A mulher na faixa dos cinquenta anos disse depois de mudar a posição para tentar voltar a dormir,infelizmente ela não conseguiu. De pé,voltou sua atenção ao garoto sentado no piso inferior do barco em que estavam.
Ele estava com uma expressão pensativa no rosto.
-Acho bom pelo menos você tentar voltar a dormir.-Ela disse
- Vai me contar uma historinha pra isso?velhota. Ele disse com um sorriso completamente provocador.
-Testa pra você ver se eu não tenho coragem de te atirar aos tubarões.-Ela respondeu com um peteleco na testa do rapaz.
-E só pra você saber,eu conheço sim boas histórias já que vivi bastante coisas ao longo da minha vida.-A mulher completou com um olhar desafiador.
-Vulgo serem da pré-história,senhora Bridget.-Tayron disse cantarolando a última parte,ele não conseguia dormir então não deixaria que a mulher o fizesse.
-Tente dormir,amanhã teremos um dia cheio. Ela disse seriamente.

     O sol estava bem mais forte do que nos outros dias e a tripulação do barco parecia bem agitada,os homens andavam de um lado para o outro,talvez porque estivessem em fuga do Reino de Udur e se fossem pegos certamente seriam executados no coliseu aos olhos de todos. Tayron e Bridget não perceberam a agitação dos outros pois estavam muito concentrados sentados em uma mesa no meio de uma partida com baralhos,a mulher fingia que o garoto não estava claramente trapaceando,na opinião dela uma audácia já que fora ela quem o ensinou,então decidiu que iria trapacear melhor.
-Senhora,desculpa interromper.-Disse um dos homens.
-Mas já interrompendo.- A mulher disse sem tirar os olhos do seu jogo de cartas,qualquer movimento em falso e o seu oponente aprontaria alguma coisa.
-É que eles estão perto senhora. Ele tentou argumentar com ela.
-Então parece que venci essa partida,não é Tayron ?.-Bridget disse com seus olhos no rapaz em sua frente sem deixar de lançar um sorriso.
-Só porque tenho que ir.-O garoto disse ao se levantar da mesa,pegou o binóculo do homem que veio lhe informar e foi em direção a popa do barco enquanto amarrava os longos cabelos em um coque para não atrapalharem e optou por deixar seu chinelo debaixo da mesa de jogos mesmo.

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