Virei as páginas ainda com receio para poder observar a sua letra perfeita com todas as suas normais serifas confusas mas que para mim eram claras como água depois de tantos anos.
' Este Letter Book, pertence a Amanda Marie Black.
Neste meu caderno vão encontrar a troca de cartas com o meu querido M, eu sei que é esquesito eu não saber o nome dele mas não lhe digam...eu já gosto dele, parece-me uma pessoa muito boa só espero um dia conhece-lo para podermos ser amigos.
Ensinamos tantas coisas um ao outro e partilhamos tanta coisa. Eu sei que é estranho para uma menina de 10 anos que vive na Califórnia dizer isto mas começo a pensar que ele é o meu único amigo, não é que eu não adore os meus amigos mas com o M é só...diferente(?)
Sinto-me tão empolgada e impaciente até as suas cartas chegarem que parece que engoli um arco-íris que faz a minha barriga ter uma sensação esquesita, porque como um arco-íris é esquesito mas lindo e faz-nos sentir felizes.
Só espero um dia conhece-lo para poder saber o porque desta felicidade toda na minha barriga.'
Li por uns momentos as ultimas palavras quando uma letra muito mais adulta perdominava de uma forma mais desleixada com as letras: ' conseguiste pequena, conseguiste. ' , umas pequenas lágrimas teimaram em deslizar pela minha face quando me apercebi que era a letra da Amanda, só que mais moderna.
Os rapazes tinham razão devia ter dado mais atenção á Amanda, prestar máxima observação a cada detalhe do seu corpo, ao quanto os seus olhos ficam num azul profundo quando me observa ou como a pequena covinha que se forma na bochecha do lado direito quando sorri e que ela não sabe da sua existência. Apesar de ter prestado atenção ao exterior, não me apercebi do seu interior magoado nem que nesta ultima semana têm andado aflita do coração. Pensando bem, tive as consequências certas depois de saber disto o larilas do melhor amigo dela, espetou-me outro murro nas trombas ao qual achei que nem essa dor aguda me doi-a tanto quanto as dores que causei á Amanda. AH! Sou mesmo idiota, foda-se.
A Christine era muito importante na minha vida, pois disse bem era...E-RA! Agora não tenho nada porque é que não percebi mais cedo que a Amanda era...é tudo para mim. Odeio-me tanto. Foda-se.
Deixo-me cair na pequena cadeira desconfortável depois de várias horas acordado á espera que algo impossivel no meu ver acontecesse. Olhei ligeiramente á minha volta vendo os rapazes todos sentados á minha frente a sorrir-me fracamente mas nada neste momento me fazia sorrir.
Uma mulher de longos cabelos loiros, já a contrastar com alguns brancos o que apesar de ser oposto lhe dava um ar mais jovem, entrou na sala. Os seus olhos encontravam-se todos vermelhos enquanto parecia procurar alguém. Quando me olhou de cima a baixo da minha posição, percebi de quem se tratava.
- Senhora Black? - Perguntei ao elevar-me e aproximando-me dela com a mão esticada.
Ela tal como a sua protegida eleva uma sobrancelha, fazendo-me ver as parecenças aparentes da personalidade distinta da Amanda. Um pequeno sorriso surgiu dos seus lábios antes da sua mão voar em direção á minha cara.
- Como te atreves? Sabes muito bem o que fizes-te Michael. - Afirmou a mulher numa voz de choro enquanto me observava a aliviar a dor, passando a mão pela minha pele agora vermelha.
- Nem sabe, o quanto estou arrependido. - Disse ao abaixar a cabeça em sinal de arrependimento.
Os seus olhos observaram-me mais uma vez de cima a baixo, até que pararam na minha mão esquerda vendo na minha posse um caderno preto, o da Amanda. Por alguma razão ela andava sempre com ele escondido na bainha do casaco, talvez algo que a fazia sentir-se viva ou lhe dava razões para isso e só de pensar que a razão era eu, isso ainda me dava mais razões para querer viver.
- A minha filha nunca me disse que era para punks. - Comentou ela num tom algo que curioso.
- Bem, sabe eu é que sou para a sua filha. - Respondi ao passar as mãos pelo meu cabelo vermelho.
A quarentona sorri-me antes de se atirar a mim num abraço apertado ao qual devolvi. As suas mãos pousaram nas minhas costas, fazendo-me mais uma vez lembrar-me dela.
- És um bom rapaz, Clifford. - Sussurrou-me ao ouvido.
- A sua filha é que me faz uma boa pessoa. - Sussurrei de volta, sentindo o sorriso da mulher contra o meu pescoço.
Tirei os braços de volta dela. Sim, a Amanda fazia-me alguém melhor, uma pessoa muito mais ativa, muito mais viva e pronta a sorrir. Sim, isso soa-me mesmo a uma coisa dela, afeta toda a gente á sua volta com uma infeção de pequenas doses de felicidade e euforia.
- Isso soa mesmo á minha filha. Não te preocupes, ela vai ficar bem é forte o suficiente. - Suspirou ela, dando-me um sorriso quente mas ao mesmo tempo envolto em tristeza
- Eu sei. - Respondi, sorrindo-lhe com a memória dela.
Amanda recupera rápido para te poder ver, por favor tenho saudades tuas.
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DEAR AMANDA, • mgc (EM EDIÇÃO)
FanfictionAmanda na sua infância trocava cartas com um misterioso remetente que dava pelo nome de "M" através de um projeto escolar de penpals;. Após anos de trocas de cartas, o "M"; deixa de responder misteriosamente. Nos seus dezoito anos, Amanda volta rece...