Capítulo Quatorze: Princesa Quebrada

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Ponto de vista Jin.

- Não precisava fazer tudo isso - sussurrou após eu finalmente terminar de lhe vestir uma camisa preta.

Por mais cavalheiro que eu quisesse ser, ver seu corpo nu diante dos meus olhos havia me trazido à mente lembranças que há muito eu me esforçava para esquecer.

Porém, em meio a tudo que estávamos vivendo, era um mal necessário que devia ser enfrentado.

Respirando fundo encaro seus olhos que lutam para manterem-se abertos, aprecio seu rosto e consigo ver por baixo da máscara de paz que ela reproduz toda a dor que esse dia havia lhe trazido.

A começar pelo casamento, os preparativos, os votos, as tulipas roxas...

Havia sido um longo dia, com um infeliz final.

-Eu não precisava fazer muitas coisas - digo-lhe soltando-me de seu frouxo aperto.

O olhar destroçado que Young me mostrou em seguida era algo pelo qual eu havia sonhado nos últimos anos, era o olhar que eu queria o privilégio de ter lhe causado, mas agora, quando eu a via deitada no centro de nossa cama com as mãos jogadas sob seu colo, não era vitoria que eu sentia arder em mim.

Apenas um momento, ele havia dito, era apenas isso que eu precisaria para me lembrar de quem eu era, e de quem ela era para mim.

"Não olhe assim para mim.", voltou a sussurrar baixo, no entanto, sua voz ainda carregava o usual tom de ameaça.

Sorri de leve e caminhei para mais próximo da mesma me sentando na beira da cama, seus olhos eram apenas pequenos feixes de uma luz apagada, mas ainda eram duros e severos, ou ao menos tentavam ser.

"Se quer que eu lhe olhe diferente então aja como tal, não seja a princesa quebrada que ele quer.", digo.

Young sorri de lado e finalmente cede ao cansaço que seu corpo carrega, franzindo os lábios ponho-me de pé, para longe dela e de toda a fragilidade que ela traz para mim, porém um passo é tudo que consigo dar até sentir seus dedos enroscarem-se em meu casaco, olho para baixo, para ela e seu corpo inerte e por ela, apenas para saciar a vontade dela, me sento novamente na cama e deixo que ela sinta-se segura por uma noite, afinal, não havia chances de todos sairmos ilesos dessa dança, alguns acabariam se perdendo, e se por ventura eu viesse a ser um deles....

Eu poderia lidar com aquilo, eu sei que poderia.

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