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Safira💫

Acordei, troquei de roupa fui no banhiero e so escovei meus dentes e desci, minhas higienes faço tudo
lá na ONG, uma das piores sensações é você ter medo de ir no banheiro ou até mesmo de dormir na sua "propria casa", tava saindo pela porta quando o satanás preto se pronúncia.

Saulo: tá sabendo entiadinha? agora eu vou morar aqui. _ olhei pra trás e a minha barriga de aluguel me olhou.

Nadí: é pra você respeita-ló, agora ele é o homem da casa. _ nem respondi apenas sai de casa.

Quando eu penso que não pode piorar, acontece isso, ele já não me deixava em paz, agora morando no mesmo lugar que eu, vou viver mais um inferno.

Ia subir pra ONG, mas minha vontade pra isso até passo, parei na pracinha e fiquei ali sentada olhando pro nada na verdade, chorar eu não consigo, não sei acho que já chorei tanto nos últimos anos que minhas lágrimas devem ter acabo, ou não tô bebendo água o suficiente.

Passei a manhã todinha ali, quando eu assustei escutei uma moça falando que já era três da tarde, não tinha nada pra fazer então é aqui que irei ficar.

Abaixei a cabeça e fiquei ali, levantei a cabeça assim que escutei uma voz a minha frente.

Xxx: oi tia, bom dia! você tá bem? _ era um garotinho, todo arrumadinho, muito lindo.

Safira: oi amor, eu tô bem sim e você? _ olhei pra ele e dei um meio sorriso, enquanto ele me olhava com um sorriso enorme no rosto.

Xxx: meu papai fala que mentir é feio tia, e você ta mentindo pra mim, você não tá bem, eu sei que não. _ que garotinho esperto.

Safira: sim me desculpa, eu só tô com uns problemas pequeno, mas logo passa. _ falei e ele sorriu.

Xxx: meu pai fala que problema é difícil tia, eu não posso ajudar você, mas você quer um abraço? _ falo todo fofo e eu sorrir.

Safira: eu vou querer sim, um abraço bem apertado.

Ele chegou perto de mim e me abraçou, na hora que ele me aperto me veio uma sensação tão forte, uma vontade de chorar enorme me consumiu, minhas lagrimas ressurgiram, não consegui segurar chorei muito no abraço dele, mas não era tristeza, era se como eu tivesse alivianda, colocando a dor pra fora não sei explicar, mas posso afirmar eu nunca me senti tão bem assim, tão feliz.

Xxx: tia índia não chora não. _ falo me dando um beijo na bochecha e enchugando minhas lágrimas.

Safira: é que seu abraço me fez se sentir bem, mas porque índia? _ falei e ele riu.

Xxx: eu colori uma moça assim linda ingual a você tia, e ela tinha os cabelos assim também grandão, bem lisinho, ela era uma índia. _ falo e eu sorrir.

Safira: obrigado meu amor, você também é bonito, mas qual seu nome?

Xxx: só o Alex tia e o seu? eu só bonitão ingual meu pai. _ falo passando a mão no cabelo e eu rir.

Safira: meu nome é Safira. _ falei e ele nego.

Alex: é bonito, mas eu prefiro índia tia.

Safira: se você quiser pode continuar me chamando assim.

Alex: tá bom tia.

Ele fico ali do meu lado tagalerando sobre tudo, me contou da escolinha dele, da melhor amiguinha, das babás chatas que ele não gosta, entre outras coisas.

Eu só sei que eu nunca sorrir tanto como tô sorrindo hoje, essa criança tá me fazendo ver uma versão minha que eu achava não ter.

Alex: eu gosto de brincar de carrinho tia você gosta? _ ia responder quando alguém interrompeu.

Branco: pô campeão tá na hora de ir, tu tem que tomar banho. _ falo e eu nem olhei pra cima continuei olhando pro Alex.

Alex: já papai? Eu tava conversando com a tia índia, deixa eu ficar só mais um pouquinho? deixá? _ pediu com as mãozinhas grudadas e eu sorrir.

Branco: depois te trago mais menor, agora tá na hora de ir.

Safira: vai lá lindão, já tá esfriando, se você continuar aqui pode ficar dodói.

Alex: tá bom tia, eu não quero ficar dodói, eu só lindão mesmo né papai?

Branco: é sim pô, lindão.

Alex: o papai também é lindão né tia índia? _ me olhou e eu fiquei sem graça, criança é fogo.

Safira: o tá ficando tarde você vai ficar dodói. _ desconversei e ele riu me abraçando.

Alex: tá bom tia eu vou, mas não é pra você chora mais tá bom?

Safira: tá bom eu não vou chorar mais.

Alex: tchal tia. _ o moço encarava tudo sem falar nada.

Safira: tchal pequeno. _ dei tchal pra ele e olhei pro moço que balanço a cabeça, fiz o mesmo e segui meu caminho.

Cheguei e abri a porta, os dois tavam sem roupa no sofá, o fogo ali tava tão grande que nem se preocuparam com minha presença, aquela cena só me fez ter nojo, fiquei com mais nojo ainda na hora que vi o satanás preto me olhando, como se me desejace, o vômito veio certeiro na minha garganta.

Nojo desses dois, nojo de viver assim, eu já tentei fugir mas não deu certo ela me espancou tanto que fiquei semanas sem andar, as palavras dela sempre são " enquanto você for de menor vai continuar vivendo aqui debaixo do meu teto, e seguindo com minhas regras, você vai dançar a música que eu tocar, depois dos seus dezoito você pode ir até pro inferno onde deve ser o seu lugar".

Aproveitei que os dois estavam bem lá embaixo e tomei um banho rápido entrei no quarto, encostei a porta já que aqui nem direito de tranca a porta eu tenho, nunca pude fazer isso, quando tranquei a porta pela primeira vez, ela queimou minha mão com uma concha quente, então prefiro não abusar da sorte ou do meu azar.

fiz minha oração e fiquei deitada pensando no garotinho que tanto me fez rir, hoje posso dizer que foi o segundo melhor dia da minha vida, pois o primeiro foi quando conheci minha madrinha.

Acasos Do Coração!Onde histórias criam vida. Descubra agora