Um momento em que a covardia fala mais alto.

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Cato não soube ao certo quanto tempo passara encarando a face serena de um adormecido Mellark, acordara de frente para o mais baixo - que desfrutava um sono profundo - sentindo a respiração morna do rapaz aquecer o seu rosto. Ele queria guardar aquela cena em sua mente para sempre. E assim permaneceu até resolver que era hora de se levantar. Infelizmente ele tinha que levantar, ambos tinham aula naquele dia, senão ficaria o encarando até que Peeta despertasse. Quase como se estivesse hipnotizado pelo rapaz. Apaixonado era a palavra certa.

O Hadley sentou-se na cama com certa lentidão, sentindo uma ardência chata entre as suas nádegas e sua bunda reclamar com a pressão do colchão. Era certo que ele não participaria do treino do time, não hoje. Correr de um lado para o outro e piorar a sua situação? Mas nem fodendo! Levantou-se e fez uma careta quando algo escorreu por entre as suas pernas.

— que? Isso não deveria ter sido absorvido ou algo do tipo? — resmungou encarando o líquido em sua coxa, caminhando até os seu guarda-roupas e enrolou-se em uma toalha que retirou dali. Encarou o lourinho por cima dos ombros, desejando que ele despertasse logo para que ele finalmente pudesse colocar tudo o que sentia para fora.

Cato balançou sua cabeça tentando dissipar aquela nuvem de ansiedade, nervosismo, receio. Que era repleta de “e se” que começava a se formar em sua mente.

Girou a maçaneta abrindo a porta de supetão. Para a sua surpresa e espanto se deparou com ninguém menos, ninguém mais que: Marcus, seu pai parado em frente ao seu quarto, com o punho erguido como se fosse bater na porta. Perguntou-se se estava tão distraído encarando o Mellark que não notou o som o som do carro, e pelos cabelos úmidos do mais velho ele notou que ele estava ali, em casa, já a um tempo.

O Hadley mais novo engoliu em seco, vendo a expressão séria do homem, olhando para além de si.

Os olhos do Hadley vagaram pelo interior do quarto de seu filho, para a cama, o homem mordeu a parte interna da sua bochecha pela vergonha, notando que seu filho não estava sozinho. Marcus focou seus olhos no rosto assustado do mais novo.

— vamos tomar café, você já está atrasado para a escola mesmo. Esperamos você lá embaixo Cato Hadley. E traga o seu amigo. — o homem ditou duro e gélido, como um iceberg, virando-se de abrupto, podendo enfim libertar um sorriso de divertimento que forçara a prender. A cara do mais novo fora impagável.

— pai... Eu... — Cato encarou as costas do mais velho com um olhar inquieto, sem saber ao certo o que dizer ao outro

— Cato... Café. — o homem ditou, o encarando por cima dos ombros.

O Hadley mais novo suspirou observando o homem se afastar. Seu pai por vezes era um homem ilegível, e esse era um momento em que Cato não conseguia dizer o que se passava na cabeça do homem. Não saberia lidar com seu velho agindo feito Marvel com Peeta.

O jogador olhou o Mellark por cima dos ombros e girou seu corpo sobre os calcanhares caminhando novamente para cama. Encarou o lourinho adormecido por mais alguns segundos, antes de balança-lo freneticamente.

— vamos, acorde, Mellark... Peep?!  

Cato chacoalhou o rapaz mas única resposta que tivera fora um tapa na testa e um resmungo desconexo. Aquilo irritou um pouco o mais alto, que já estava uma pilha de nervoso. O Hadley massageou a área acertada, certificou-se de que sua toalha estava devidamente presa ao seu corpo e pegou o Mellark no colo. Ouvindo um outro resmungo ecoar do rapaz. Negou com a cabeça e caminhou para fora do cômodo, olhou de um lado para o outro, antes de sair pelo corredor com o Mellark em seus braços.

O loiro mais alto fechou a porta do banheiro atrás de si, com o pé, com um pouco de dificuldade se agachando e com o movimento do seu cotovelo conseguiu se livrar da toalha. Deixou o pano cair sobre o chão do lavado e caminhou para o box, fora difícil ligar o chuveiro com o rapaz em seus braços, mas o Hadley conseguiu esse feito.

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