Bem, por incrível que pareça - 01

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O sono não foi o seu aliado naquela noite. Um resquício seu fora sentido no arrastar das horas mas Cato não conseguia dormir. Mesmo sentindo a respiração calma de Peeta em sua nuca, a todo momento, balançando os cabelos do local. Seus pensamentos fixos em um assunto específico não permitiram que ele dormisse tranquilamente. Mesmo com o Mellark logo ali, o abraçando.

Embora não tenha dormido, de fato, tratou de fazer uma nota mental para que quando repetissem o ato; para que dormissem da mesma forma.

Cato só se deu conta das horas que haviam passado quando percebeu os raios de sol – que furtivamente – adentravam o seu quarto pelas frestas da janela.

Ele tentou se levantar.

Não queria deixar o seu baixinho ali sozinho, mas o faria. Havia decidido que ele, pessoalmente, iria levar a informação de que Peeta estava em sua casa e bem. Suspeitava que uma hora dessas Effie estaria subindo pelas paredes, na parte literal da coisa. Foi difícil para ele se desvencilhar daquele abraço de perna e braços que Peeta lhe dava com afinco, mas conseguiu.

Se espreguiçou ao se sentar e encarou o rapaz que se remexeu na cama. Peeta não acordou como ele pensou, apenas se deitou de barriga para cima. O loiro mais alto suspirou. Sem pressa alguma esticou seu braço e pegou o celular em cima da cômoda. Eram sete da manhã e Cato se viu bastante surpreso por estar tarde e ninguém ainda ao menos ter batido na sua porta. Tinha algumas, várias, mensagens e ligações de quatro número diferentes; ele não precisa ligar ou mandar mensagem para saber de quem eram.

O Hadley se apressou. Levantou-se e encarou o Mellark uma outra vez, depositou um beijo em sua testa antes de sair. Pegou a primeira bermuda e camisa que encontrou em seu guarda-roupas e se pós a caminhar para o banheiro, onde fez sua higiene e saiu já devidamente arrumado.

A barriga do rapaz roncou enquanto ele descia as escadas. Foi só por isso que fez um desvio do seu destino – a porta – para a cozinha. Foi ali onde encontrou as três mulheres de sua vida. Sentadas a, pequena, mesa do cômodo. Paylor, a governanta, Alícia, sua mãe e Gerda, sua avó; Que havia chegado na tarde do dia em que a festa aconteceria. Busca-la foi um dos motivos dele ter se atrasado.

As mulheres até então conversavam, mas param assim que a presença do mais novo foi notada. Ele até tentou pegar sua maçã e sair para que elas voltassem a conversar e não lhe fizesse perguntas mas sua mãe não “permitiu.”

— Cato. — a voz de sua mãe fez com que ele parasse e se virasse outra fez. Ele as encarou com o olhar inquieto. — Como ele está? E o que houve? — a mulher perguntou com certa preocupação. O que causou certa estranheza em seu filho que não entendeu aquele interesse todo, afinal ela conheceu Peeta há poucos dias.

Depois que o Hadley subiu com o Mellark nos braços na noite anterior e se trancou no quarto. Ele não saiu mais e não deu notícias. Era de se esperar curiosidade acompanhada de perguntas.

— Ele está bem. — afirmou olhando para cada uma das mulheres ali presentes enquanto mordia sua maçã. — Foi só um problema de família... — Explicou arqueando as sobrancelhas para o cochicho trocado entre Paylor e sua avó

O rapaz não quis falar muito. Ainda tinha pressa. Sua mãe assentiu, levando sua xícara aos lábios.

— não vai chama-lo para tomar café? — Paylor havia colocado uma xícara à mais sobre a mesa. Esperava que o Hadley trouxesse o rapaz quando acordasse.

— vai buscar o menino, rapaz. — sua avó apontou o dedo enrugado para a escada.

— ele ainda está dormindo. — Cato fez uma careta para o interesse daquelas duas, em ter a presença do Mellark ali. Aquela altura já estava ciente do teor dos cochichos.

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