Bem, por incrível que pareça - 02

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O percurso foi bem mais rápido na volta O pé do Hadley parecia colado ao acelerador, ou era somente a sua pressa em ir encontrar o baixinho. Ele ganharia alguns pontos na carteira de motorista por isso.

Mas ele ligava pra isso? Claro que sim.

Ficou remoendo os dois faróis vermelhos que tinha ultrapassado, enquanto observava o portão de sua casa se abrir lentamente. Os quilômetros acima do limite, enquanto estacionava o carro evitando a grama bem cuidada de sua mãe. Ele se sentiu um delinquente iniciante.

Desceu do carro, ligeiro. E ao encarar seu lar, viu a porta sendo aberta e um certo rapaz de cabelos acastanhados sair por ela.

O rapaz parecia alheio a tudo a sua volta, andava a passos lentos e com a cabeça abaixada, encarando os próprios sapatos. Ele não notou a sua aproximação.

— MARVEL. — Cato berrou antes que o rapaz tombasse consigo.

O rapaz de cabelos castanhos se sobressaltou, recuando um passo.

— Que merda… — murmurou atônito. O coração batia acelerado. — Quer me matar do coração.

Não foi uma pergunta mas o Hadley negou com a cabeça.

— O que faz aqui? — Perguntou. Não via o amigo desde o incidente.

— Eu? Hã… Eu vim conversar contigo. — Marvel coçou a nuca sem jeito. E Cato percebeu que ele evitava encara-lo nos olhos. — Mas a tia Alícia disse que você não estava… Acho que ela ainda está chateado comigo, por ter vomitado no vaso arindo dela.

O rapaz sorriu amarelo.

— Ameríndio. — Cato o corrigiu. E sorriu se lembrando da cena. Foi um belo porre.

— É, isso ai. — o castanho concordou. O encarando por fim. Ainda se sentia estranho perto do Hadley, não é como se ele pudesse controlar aquele tipo de coisa. Ainda mais depois do que estupidamente havia tentado fazer no vestiário. O que ele estava pensado afinal? Nem ele entendia seu ato impulsivo.

— pensei que não veria você tão cedo. — o Hadley segurou o impulso de querer abraça-lo. Seria embaraçoso demais depois do que houve.

Marvel engoliu em seco. Encarando o rapaz com um pouco de receio. Sua vontade de tocar naquele assunto em específico era pífia. Mas ele sabia que uma hora ou outra teria de tê-la, ao menos se ainda pretendia ter o Hadley como amigo.

— Sobre aquilo… — seus dedos remexiam de forma nervosa.

— Vai explicar agora? — Cato cruzou os braços. Sendo sincero consigo mesmo, ele não queria ouvir. Já estava tudo esclarecido. Ele queria, se possível, esquecer o ocorrido e seguir em frente.

— eu não sei explicar o que deu em mim para fazer aquilo. — O castanho disse sincero. Sua vontade era de se esconder do mundo com tamanha vergonha que sentia. Ele não admitiria que passou a se sentir ameaçada quando descobriu com quem Cato estava andando com o Mellark.

— Não precisa. — Cato ditou. Encarou a fronte da sua casa. A janela do seu quarto, desejando estar ali dentro. Deitado de conchinha com Peeta, atrás de si o apertando possessivamente. Havia tomado gosto pela coisa.

Mas ali estava ele conversando com Marvel. Não que ele não quisesse conversar com o amigo. Mas tinha que ser logo hoje? Quando ele estava fazendo cosplay do coelho de Alice.

— somos amigos à tanto tempo… — O castanho murmurou. Os olhos cheios e brilhantes.

— Desde sempre. — o loiro observou. Relaxando um pouco com o modo de agir do rapaz. Ele estava estranho.

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