Um sonho brilhante demais

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Acordei, mas os brilhos verdes ainda me rodeavam. Estava no pátio da escola. Aparentemente, o recreio terminara a pouco tempo. Imaginando estar atrasada, corri em direção à sala de aula, mas havia algo a mais de diferente.

Tudo estava maior: as portas eram quase o triplo do meu tamanho, as janelas pareciam sumir do meu campo de visão, e até o bebedouro estava difícil de alcançar.

Em compensação, podia sentir minhas pernas menores. Não conseguia correr com toda aquela agilidade que absorvi depois de tantos anos de atraso.

Eu estava mais nova. Era isso.

Quase surtei ao chegar nesse conclusão, mas me contive. Teria ainda mais tempo pra surtar, afinal.

Ao chegar perto da sala, percebi que estava chorando. Não entendi bem o motivo, mas estou começando a achar que isso é um sonho...

Abri a porta e me deparei com uma festinha. Pareciam aqueles aniversários que meus colegas faziam na escola quando éramos mais novos (isso seria equivalente a agora...?). Olhei em volta e percebi um grande arco de bexigas nas cores verde e preta, um enorme bolo de chocolate numa mesa à frente e uma grande caixa cheia de presentes.

Localizei uma caixa de macarons junto a brinquedos e coisas do tipo. Aquilo parecia a minha cara.

Mas de quem era essa festa? Não me lembro de der conhecido ninguém que tivesse feito um aniversário tão dark nessa escola.

Então percebi que não era um aniversário. Acima do arco havia uma faixa verde escura, com um texto em caixa alta na cor preta. Ali dizia "sentiremos saudade!".

Eu estava chorando e havia aquela faixa. Isso era uma festa "pós enterro"?

Virei para observar as outras pessoas na sala. Nino estava no chão, brincando com mais algumas crianças com algum brinquedo que eu não conhecia. Alya estava conversando alegremente com a Rose. Pareciam... comemorar algo?

Afinal, o que raios é essa festa?

Notei uma figura loira no canto esquerdo da mesa principal. Chloé estava segurando um papel enrolado como um tubinho e, com a outra mão, mexia no cabelo de um jeito estranho. Bem, deixou de ser estranho quando percebi que ela conversava com um garoto.

Este eu não fazia ideia de quem era. Tinha os cabelos loiros, de uma cor lindíssima e... era só o que eu via. Ele estava de costas para mim, mas dava pra notar o desconforto em ter que conversar com a Chloé.

Fui até a minha carteira e me sentei, esperando captar alguma explicação pra essa festa excêntrica das conversas ao meu redor.

À minha direita, vi que Nathaniel me observava, atento. Creio que ainda estava chorando. Ele pigarreou um pouco e se dirigiu a mim:

- Você... vai sentir falta dele?

Dele? Quem era "ele"?

Percebi, então, que aqui eu não falava o que queria, apenas observava e ouvia uma versão mais nova da Marinette interagir com os outros.

- É claro que vou! Não queria que ele fosse desse jeito...

NÃO TEM NINGUÉM AQUI PRA ME DIZER QUEM TÁ MORRENDO?????

- Pra mim ele já vai tarde! Só sabia arranjar confusão...

A Marinette mais nova sofreu um grave ataque de raiva comprimida, mas conseguiu se conter a ponto de mudar de lugar.

Fui para uma carteira mais próxima à porta e, só então, me dei conta de que, ao lado da mesa, uma mulher observava a sala, olhando vez ou outra para a Chloé e o garoto no canto.

Não sei se é mãe do garoto ou se só estava observando mesmo.

Mas, tenho que admitir, se ela for mãe dele, o garoto deve ser um baita gato! A mulher tinha os cabelos loiros, bem próximos ao tom do garoto. Os olhos verdes, parecidos com duas esmeraldas, ressaltavam a pele extremamente branca. Ela usava uma calça jeans, uma blusa vermelha e um terninho bege. Parecia que ia viajar. Notei duas malas atrás da porta, uma grande e uma média.

Eu continuava chorando pela ida de alguém que sequer reconheço, mas, pelo visto, considero bastante.

A mulher se deslocou até o vão da porta e observava cada um da sala. Parecia analisar tudo, até a alma.

Ela virou-se para mim e me encarou por uns segundos. O rosto perfeito pareceu se contrair. Ela também estava triste.

Deu um pequeno sorriso e, enquanto limpava uma das minhas lágrimas, disse com a voz calma:

- Que gracinha!

Chorei mais ainda e deitei minha cabeça na pequena mesa à minha frente. Me deixei chorar por alguns segundos, até que ouvi uma voz que soava totalmente familiar.

Não pude identificar o que ouvi, mas sabia que era a nossa professora de francês.

Me levantei rapidamente para absorver o que acontecia, mas tudo estava escuro.

Exceto pelo brilho esverdeado que, precebi, era exatamente igual ao dos olhos daquela mulher. Ele me envolvia desde que acordei no pátio, mas agora estava mais denso. Quase pensei tocá-lo.

Mas estava na hora de dormir.



Fechei os olhos por um segundo e já senti alguém me balançando. Provavelmente era a Alya.

Abri meus olhos e estava novamente na sala de aula, mas deitada no chão e com a minha melhor amiga me enchendo de tapas.

Eu tinha desmaiado, não beijado o Nino! Ela precisava se acalmar urgentemente.

- Alya! Alya! - eu tentava sair da mira daqueles tapas - para de me bater, Alya!

- Você tá louca Marinette? - ela gritou no meu ouvido e eu desejei com todas as minhas forças nunca mais desmaiar perto de Alya Césaire - Jamais me dê um susto como esse, tá ouvindo? Eu não me responsabilizo pelos danos que vou causar nessa escola!

Confesso que eu ri. Ela, com certeza, quebraria algumas salas...

- Calma Alya! Eu só comi algo que me fez mal. - a mentira quis me castigar e ouvi meu estômago se contorcer. Droga.

- Tudo bem, pessoal! Afasta aí que a Marinette vai dar uma corridinha. - corrida? Será que a Alya ia me bater mais?

- Correr? Por quê?

E foi aí que eu me arrependi.

Alya cochichou no meu ouvido em resposta:

- Sério?! Tá na cara que você tá precisando.

Demorei um pouquinho pra assimilar, mas a comida "estragada" foi mais rápida.

Eu ia precisar de uma muda de roupas urgentemente.

Trazendo verdade às palavras da Alya, corri... para o banheiro.

__________ • ☆ • __________

Fiz um capítulo maiorzinho, mas quero tentar manter um padrão nessa fic.

O que vocês acham que aconteceu com a Marinette?

O Brilho Nos Meus SonhosOnde histórias criam vida. Descubra agora