Primeiro: Desmoronando

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Ok, talvez eu esteja ficando louco. Tem que ser isso!  Eu estou ficando completamente louco ao ver meu pai na televisão, enquanto era escoltado por policiais e levado a uma viatura. Coisa da minha cabeça, que isso, Gabriel!

Não pode ser isso, certo? Meu pai é um deputado, poderosíssimo. Por que caralhos ele estava sendo levado, algemado, a uma viatura?

— Gab, você já viu? — Amanda chegou na sala, parando do lado do sofá, ela parecia pálida.

— Essa merda aqui, sim? — Disse, batendo minha mão no encosto do sofá.

— Sei que já viu aí no noticiário, mas ele está sendo preso por desvio de dinheiro. — Murmurou, sentando ao meu lado.

Amanda era a minha babá, mas depois que cresci, pedi ao meu pai para que deixasse ela trabalhar ali, visto que era a figura materna mais próxima que eu tinha. Amanda é brasileira, mora nos EUA com seu marido e sua filha pequena.

Meu pai me trouxe para São Paulo quando eu tinha dois anos, sem a minha mãe, que mora no Rio de Janeiro, por que ela não queria vir, mas também não queria ficar comigo. Até hoje eu não tenho um relacionamento muito bom com ela. Mas mantemos contato, é claro. Tenho um irmãozinho, o qual eu amo muito. Mas nada tira da minha cabeça que minha mãe me abandonou.

Enfim. Hoje tenho dezessete anos e...

— Espera! — Levantei rápido associando o que acabei de pensar. — Eu vou poder morar aqui, não é? Sozinho e tudo mais, com você, Amanda?

— Eu acho que não. — Suspirou, levantando-se para me dar um abraço de urso. — Você tem que ficar sob guarda de algum parente.

— Mas eu quero ficar com você. — Disse, abraçando de volta. — Não quero voltar para o Rio.

— Mas você vai ter que voltar. Eu já liguei para a sua mãe... — Eu me afastei dela, a olhando com a cara cheia molhada. Ela fez um carinho no meu rosto para me confortar. — Você sabe que não posso ficar com você. Laura vem buscar você em uma semana.

É uma merda ser de menor, conclui.

— Por que não posso ficar com você? — Me joguei no sofá, indignado.

— Eu não sou parente sua. — Suspirou mais uma vez, talvez buscando paciência. — Não precisa arrumar sua mala agora, sim?

E saiu, me deixando sozinho e com a raiva que estava começando a crescer dentro do meu peito. Raiva essa que era direcionada todinha ao meu pai.

Uma semana depois

Estou deitado na minha cama, arrumado, pois é o dia que Laura vem me buscar. Ouço vozes altas e risadas, uma era de Amanda e outra eu não conseguia identificar. Talvez seja da minha mãe.

Ouvi batidas na porta, levantei e ajeitei minha roupa.

— Entre. — Disse seco, olhando-me no espelho.

— Gabriel... — Minha mãe chamou, andando até mim. Eu hesitei quando ela me abraçou, mas para não dizer que sou ruim, eu abracei de volta. — Como você está?

— Sem um pingo de vontade de voltar para aquele lugar. — Comprimi meus lábios, evitando o olhar de Laura.

— Ah. Temos que voltar, você não pode ficar aqui sozinho, certo? Podemos ir? Deixei Rafa com a avó dele, quanto mais cedo a gente ir, melhor. — Lembrei de Rafael, meu irmãozinho, talvez eu esteja mais animado.

Eu vou ver ele outra vez, afinal. É um garotinho adorável de três anos de idade.

UM DIA E ALGUMAS HORAS DEPOIS

Chegamos ao Rio. Estou completamente cansado e com fome. A comida que comi no avião não foi o suficiente. Eram uma hora e trinta da manhã.

— Vamos? — Laura passou por mim com o celular no ouvido. — Chamei um táxi.

°°°°°°°°°°

Chegamos até um lugar, minha mãe pediu para o motorista parar e descemos. Olhei confuso para ela, querendo saber por que caralhos ela mandou o motorista parar.

— Carros desconhecidos não podem entrar aqui. — Fiquei mais confuso ainda. — Quando chegarmos em casa eu te explico.

— Está bem.

Passamos por um beco e descemos, onde me assustei ao ver vários caras sentados em passeios com armas enormes nas mãos. Me controlei para não olhar demais.

Um cara se levantou, levantando a mão e minha mãe parou, sinalizando para que eu parasse também.

O homem nem disse nada, apenas revistou a minha mãe e depois a mim. Perguntei "para que isso?" em meus pensamentos.

— Quem é esse? — O homem perguntou, os braços fortes cobertos de tatuagens diversas. Aquilo me chamou atenção.

— Meu filho, Gabriel. — Mamãe sorriu sem graça. — Ele veio morar comigo.

— Ok, podem passar. — E ele se afastou, passamos por ele.

Quando chegamos a uma casa verde com portão, tão semelhante as outras, mais adiante, minha mãe parou e eu o fiz também.

— Estranho. Esses caras nunca me pararam quando entro com outra pessoa. — Ela tinha uma sobrancelha aqueada, falava baixo.

— Deve ser por que eles nunca viram a minha cara. — Dei de ombros. Ela abriu o portão e a porta.

— É, deve ser por isso. — Já dentro, ela tirou a sapatilha que usava. — Tira também, pra não sujar a casa.

Olhei para dentro da casa, era pequena, parecia aconchegante. Mas mesmo assim eu não queria ter saído da minha casa.

Estou vendo que vou adorar essa nova vida. Bufo, rindo em ironia.

BOOOOOOOOOOOOOOA NOITE!! mudei muita coisa, deixei grandinho (não tanto, mas maior do que o outro)

desculpem os erros :)

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⏰ Última atualização: Sep 22, 2020 ⏰

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O Dono do Morro (Romance Gay)Onde histórias criam vida. Descubra agora