Na próxima vez que acordei, eu estava sentado. Meus braços e pernas estavam amarrados à uma cadeira. A cadeira estava presa no chão. Eles fizeram runas ao redor da prisão inteira, criando luz do sol infinita. E Voldemort estava olhando para mim.
Eu sorri e o olhei profundamente. Era uma medida drástica, mas eu não perderia essa oportunidade. Lambi meus lábios lentamente, minha expressão extremamente lasciva e senti meu corpo reagir imediatamente, criando algum tipo de essência ou feromônio para excitá-lo. Mesmo enfraquecido por aquele sol desgraçado, eu ainda era poderoso.
"Oi, razão do meu tesão."
Ouvi os Comensais da Mortes arfando nos fundos da cela, mas eu não sabia se eles estavam excitados por causa do meu poder ou surpresos pela minha idiotice. Mas Voldemort não reagiu. Ele apenas apontou a varinha pra mim.
"Crucio!"
A dor era pior que eu imaginava. Eu senti como se estivesse queimando ou derretendo, sendo eletrocutado e esfolado, como se ele estivesse afundando agulhas em cada um dos meus nervos. Eu gritei.
Ele encerrou o feitiço. Eu estava empapado de suor e tinha certeza que meu nariz estava sangrando. Mesmo assim, não pude evitar que uma risada escapasse.
"Acho que você não é gay."
"Crucio!", ele gritou novamente, e manteve o feitiço por mais tempo dessa vez. Quando finalmente acabou, eu mal estava consciente.
Voldemort se aproximou de mim.
"Isso deve te ensinar boas maneiras. Da próxima vez que nos falarmos, vai ser para você receber as minhas ordens.
Eu queria mandar ele se foder, mas eu não tinha mais forças. A luz do sol deixava minha cabeça leve e meu estômago fraco. Eu vomitei no chão e em mim mesmo e provavelmente desmaiei pois, quando abri os olhos, eu estava sozinho.
Eles me deixaram com fome por um longo tempo, e de vez em quando vinham apenas para lançar um Crucio. Eu provavelmente estava naquela cela há mais de um mês, e eu queria saber em qual época de 1996 eu estava. Draco aparecia vez ou outra para uma aula prática de tortura, então eu imaginava que estávamos nas férias de verão, ou então ele estaria em Hogwarts.
Ninguém me olhava nos olhos, e também não recebi água ou comida, e eu me sentia fraco. Eu não conseguia imaginar como escaparia daquela situação mas, sendo imortal, dava pra esperar.
E eu esperei, e esperei, até o dia que Snape entrou na minha cela com uma bandeja larga de comida. Meus olhos se abriram de surpresa.
Ele era uma delícia.
Ok, o cabelo era um pouco oleoso na raiz, e os olhos eram escuros e frios, certo, e o nariz era um pouco maior do que você normalmente vê por aí, verdade, mas pelo amor de Deus, ele era lindo. Esguio, elegante, maxilar forte, mais jovem que o Alan Rickman (que Deus o tenha) e definitivamente meu tipo. Não ajudava o fato de que ele também era meu personagem favorito.
Ele não me olhava nos olhos, apesar de que ele provavelmente conseguiria resistir ao meu charme com aquela oclumência filha de puta. Ele colocou a comida na minha frente (carne de boi fresca e alguns corações de lebre) e soltou minhas mãos. Eu me alonguei devagar, observando-o. Ele olhava para a parede oposta, mas estava atento. Preparado.
"Snape?", eu o chamei, minha voz suave. Ele quase me olhou, provavelmente imaginando como eu sabia o nome dele. Eu esperei por uma resposta, mas não tive nenhuma.
"Você pode me limpar, por favor? Eu não quero comer enquanto eu estou cheirando a vômito."
Ele olhou rapidamente para o meu corpo, ainda com manchas nas calças e no peito da primeira sessão de tortura. Com um movimento cortante de varinha, eu estava limpo. Sorri, mas ele já não estava me olhando.
"Com medo de olhar para o coitadinho do vampiro preso?"
"Coma."
Eu comecei com a carne de boi. Estava com fome demais para brincar com ele como eu queria. Comi devagar, imaginando que Severus poderia ser a rota de fuga perfeita.
Depois de comer tudo e deixar que ele me trancasse de novo, esperei até que ele se aproximasse da porta para falar.
"O que Lily Evans pensaria de você agora?"
Ele parou.
"O que você sabe sobre ela?"
"Acho que precisamos de um pouco mais de privacidade pra essa conversa."
Snape levantou a varinha e, depois de alguns movimentos complicados, ele se voltou para mim.
"Eu tenho informações delicadas que podem te ajudar a vencer essa guerra", eu disse. Com Snape, era sempre melhor ir direto ao ponto. "E não me entenda mal. Eu sei exatamente qual seu lado nessa zona."
"Eu deveria acreditar em você?"
Eu dei um sorriso perverso. Nunca me senti tão bem na minha vida antes. Eu finalmente podia ser o pior de mim.
"Eu sei como você implorou ao Dumbledore para manter Lily Evans viva. Como você prometeu a ele tudo, literalmente tudo se ele a mantivesse segura. Deixa eu te perguntar... Dumbledore já colocou aquele anel que vai matá-lo? Ele já te falou que você vai ser o professor de DCAT esse ano?"
Já não tinha muito sangue sobrando no rosto de Snape. Meu sorriso cresceu mais.
"Eu sei muita coisa, meu caro Snape. Coisas demais. E também estou, nesse momento, sob a mercê de Lord Voldemort. Fraco por causa dessa porra de luz do sol rúnica. Mal alimentado. Constantemente torturado. Quanto tempo Voldemort gastaria para invadir minha mente? Quanto tempo até que ele saiba o que sei sobre você? Ou pior... O que eu sei sobre o futuro?"
Snape estava lentamente retornando a sua cor normal. Ele parecia entender o que eu estava pedindo.
"Não vamos esquecer que eu sou imortal, ou eu seria um cadáver a essa altura. O que significa que você não pode me matar para proteger seus segredos. Então, me permita deixar tudo bem claro: você pode me deixar apodrecer aqui até Voldemort quebrar minha mente em pedaços e descobrir o que precisa fazer para ganhar a guerra... Ou você me liberta."
"Esse é seu preço? Liberdade?"
"Sim."
"Impossível. O Lorde das Trevas vai encontrar você.
Fiz uma careta.
"Eu posso aceitar ficar trancado num lugar seguro até aquele bastardo ser morto."
"E você vai compartilhar seu conhecimento?"
Eu o olhei com certo pesar. Não queria que ele morresse.
"Não tudo. A maior parte, claro, mas não tudo."
"E tudo que você quer é liberdade? Nada mais?"
Alterei a emoção nos meus olhos para algo mais convidativo e quente. "Eu posso aceitar outros tipos de pagamento."
Ele nem piscou. Merda.
"Sua fuga pode ser arranjada. Me dê dois dias", ele disse, e saiu antes que eu falasse um "a". Maldito.
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A Vampire Tale of Harry Potter
FanfictionEu acordei dentro do poderoso corpo de um vampiro, no meio da saga de Harry Potter. Isso só pode ser um sonho, né? E se é um sonho... Eu posso fazer tudo que sempre quis. ~ Harry Potter é propriedade intelectual de J. K. Rowling. Se fosse meu, o Sna...