Prólogo

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O inverno não era piedoso com os menos favorecidos, os corpos trêmulos de frio perante uma longa fila para receber um pouco de sopa e assim aguentar o restante da noite

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O inverno não era piedoso com os menos favorecidos, os corpos trêmulos de frio perante uma longa fila para receber um pouco de sopa e assim aguentar o restante da noite. Mesmo estando focados na própria alimentação, não puderem deixa de notar algo um tanto peculiar, a famosa fábrica que era o destaque da cidade emitia uma luz vermelha despertando a curiosidade dos observadores. Vermelho tinha o costume de indicar algo ruim, então será que Willy Wonka passava por algum problema?

A luz vermelha ainda piscava no salão principal, porém os olhos de avelã estavam vidrados na lareira observando o fogo movimentando-se num ritmo lento, o chocolateiro podia parecer aéreo. Mas, na verdade, ele sempre foi bom em esconder os seus reais sentimentos. Não perderia o controle tão facilmente com o intruso, confiava na competência de seus umpa-lumpas cegamente, poderiam até invadir sua fábrica, porém não escapariam com a mesma facilidade, isso era garantido.

— Chefe! — Sentiu o seu sobretudo de veludo sendo puxado e encarou pelo canto dos olhos o umpa-lumpa que parecia animado com a notícia que daria. —  Encontramos o invasor.

— Fantástico! — O maior sorriu expondo os dentes perfeitamente brancos e alinhados.

O alerta já não soava mais assim como a luz vermelha, não poderia negar que estivesse intrigado com o invasor. Estava prevendo um homem extremamente forte e estrategista, não conseguia imaginar como os seus nobres umpa-lumpas conseguiram pará-lo.

Quando escutou  a grande porta de madeira sendo aberta, esperou alguns segundos antes de encarar a pessoa que teve a audácia de adentrar no seu lar, acabou soltando uma risada que tentou reprimir, sem sucesso, ao se deparar com a figura perante dele. Seus lábios vermelhos estavam sujos de chocolate e os umpa-lumpas que a guiaram até a sala colocaram algemas nos seus pulsos, mas estavam bem frouxas num ponto que não a incomodavam.

— Você é mesmo o Willy Wonka? — A invasora indagou desacreditada com os olhos azuis completamente arregalados, nunca pensou que iria dividir o mesmo cômodo que o chocolateiro mais famoso e prestigiado do mundo, mesmo estando na pior das circunstâncias.

— Então, você é a ratinha que quer roubar as minhas receitas? — O dono da tão admirada fábrica de chocolate aguardava pacientemente uma explicação da intrusa que parecia estar envergonhada por ter sido pega, seus olhos analisavam as roupas, que mais pareciam trapos, usados pela garota de cabelos dourados reluzentes. — Que tipo de espiã você é? Trabalha disfarçada? — Lançou mais perguntas, ela parecia relutante de falar então sua única alternativa seria pressioná-la.

— Eu não sou uma espiã!

— A ratinha resolveu finalmente falar, bom.. — Sorriu. — Então o que você é? — O corpo de Willy agachou-se perto desta.

— Sou uma garota, isso não é óbvio? — Os olhos inocentes não transmitiam a mesma sintonia do que a frase sarcástica.

— Uma garotinha bem mal-educada.

— Eu só não gosto que me chame de "ratinha".

— Tudo bem, ratinha. — Concordou, podendo escutar a outra bufar com o apelido. — Ou você me conta por que resolveu invadir a minha fábrica, ou chamarei a polícia.

— NÃO! — Gritou com a ameaça feita. — Eu estava com muita fome e sei que nas quartas o caminhão do lixo entra na fábrica então..

— Você invadiu a minha fábrica e pensou que conseguiria comer os meus chocolates sem ser descoberta? Que previsível. — Completou o raciocínio, ficou aliviado de não ser alguma espiã querendo roubar suas receitas. A vestimenta velha descosturada, o cheiro de lixo sendo exalado por ela, os pés descalços que pareciam queimados pela neve comprovaram a história contada. Contudo, ainda iria ter que resolver essa problemática. — Acredito que essa é a hora que meus umpa-lumpas lhe acompanham até a entrada, senhorita… — Esperou que o seu nome fosse finalmente dito.

— Amélie.

— Certo, Amélie, está na hora de você ir.

— Mas eu não tenho para aonde ir. — Revelou. — Meu único lar era o orfanato, mas precisei fugir de lá. — A melancolia era quase palpável, os olhos azuis desviaram dos castanhos encarando o chão.

— Para virar uma ladra? — O chocolateiro indagou com uma sobrancelha erguida, passava longe de ser um homem com tato para a sensibilidade.

— Quando completei dezenove anos e como nunca fui adotada. — Suspirou exausta por precisar expor parte de sua vida para um estranho.  — Eu recebi duas opções da Sra.Calvet: Me casar com um desconhecido escolhido por ela ou virar freira, então decidi criar uma terceira opção e fugi.

A forma como o corpo da invasora pareceu se fechar quando relatou brevemente sua história não atingiu Willy Wonka como poderia atingir qualquer outra pessoa que, no seu lugar, provavelmente compartilharia do sentimento de tristeza. Devido aos bons anos recluso na sua fábrica demonstrar sentimentos ou confortar outra pessoa era situações nas quais ele se considerava completamente leigo.

— Senhorita, acredito que tenho um convite para você. — Depois de passar longos segundos no mais puro silêncio, o homem com a cartola havia tido uma ideia genial. — Gostaria de passar alguns dias vivendo na minha fábrica?

Os umpa-lumpas presentes encararam uns aos outros em plena confusão e a jovem Amélie ainda tentava processar que a alguns minutos atrás ela era referida como "ratinha" estando pronto para guiá-la até a saída. E agora de repente, o chocolateiro tinha desistido da ideia e a convidava para ficar, afinal quais eram as intenções daquele homem excêntrico?

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