1. Cecília é sinônimo de confusão!

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Eu me sentia muito feliz por algum motivo. E ao som de Daddy Issues meu corpo respondia a alguns comandos desengonçados de acordo com a batida da música, eu apenas queria o melhor que aquelas letras poderiam me fazer sentir, acreditar que por aquelas poucas horas eu conseguiria esquecer de todo o resto. Eu estava cogitando ter uma overdose ali mesmo, para então colocar um fim naquela vida catatonica, eu não me sentia tão bem assim desde algum tempo então porque não aproveitar desse momento para ter uma bela morte feliz?

Talvez ela se sentisse culpada?!

Como se eu me afogasse em um mar frio de realidade a sua risada grotesca ecoou pela minha cabeça.

Seria mais fácil ela se sentir aliviada...

Eu não andava em linha reta à mais de duas horas, no entanto meu consciente clamava por mais alguns goles de álcool e eu já havia perco a conta de quantos eu havia tomado só naquela noite.

FODA-SE!

Virei duas doses de whiskey num único gole, sentindo meu corpo perder quase que por completo o controle.

ㅡ Alguém viu a Cecília? Gente alguém viu a Cecilia? A mãe dela tá ligando! ㅡ Ao longe eu pude reconhecer a voz da representante de classe. O que ela estaria fazendo aqui? Ela é sempre tão certinha! E quem diabos deu meu celular pra ela?

Encostada na bancada eu presumi que ela tivesse me reconhecido e agora apenas seu vulto e sua voz aparentemente irritante se aproximavam cada vez mais.

ㅡ Cecília sua mãe tá te ligando! ㅡ Ela disse e me mostrou o telefone. Sem indício explícito me entreguei a uma crise de riso incessante enquanto alcançava meu óculos no canto da mesa.

Ainda com dificuldade devido a bebida, consegui identificar aquele nome maldito: Gabriela Kang Silva.

Um sentimento de ódio subiu rasgando pelo meu corpo, me torturando até que eu estivesse sem a porra do controle. Eu apenas tomei aquele celular de sua mão e o atirei no chão com toda aquela raiva crescendo dentro de mim, o esmigalhando com o meu salto fino, o tornando apenas, farelos.

Karol me olhou horrorizada, ela não tinha culpa no fim das contas e nem sabia de coisa alguma que se passava mas ela tinha chamado aquele ser energúmeno de minha "mãe"?!

ㅡ Esse demônio não é minha mãe! Ela não é minha mãe! Entendeu?! Como você tem coragem de dizer que ela é minha mãe?! Você sabe tudo o que ela já me fez?! Karol? Você sabe?! ㅡ Eu estava desesperada para por aquilo pra fora, eu sentia como se meu consciente estivesse neutralizado eu não conseguia pensar em mais nada além da raiva agressiva que continha em cada músculo do meu corpo, minha voz estava ficando rouca a cada frase proferida e o ar estava faltando ao passo que as lágrimas não poderiam mais ficar acanhadas nos olhos. E então minha visão foi escurecendo, um último suspiro se despediu e tudo desligou...

-

Branco... Muito Branco! Há apenas algumas pequenas manchinhas na lateral... Provavelmente foi limpado a pouco tempo e àquelas manchas devem ser de goteiras... Essa luz clara está me cegando! Tudo é tão branco como pode!... Esses arrepios involuntários... Está muito frio! Quando foi que meu quarto se tornou tão claro e gélido?! Espera?! Eu não estou no meu quarto? Isso aqui definitivamente não é o meu quarto...

Minha mente se sentia atordoada e confusa procurando mil informações nos primeiros milésimos depois de abrir os olhos. Minhas orbes percorriam os objetos embasados do quarto desesperadamente.

ㅡ O-onde e- ㅡ Minha garganta se encontrava tão seca que foi impossível ignorar a ardência e continuar a falar. Imediatamente senti que algo ou alguém se movimentou ao meu lado, não consegui identificar por estar sem óculos.

Dangerous Love - Ateez (Yunho)Onde histórias criam vida. Descubra agora