Capítulo 21

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SARAH

Algumas semanas se passaram e eu estava cada vez mais afundada em drogas de todos os tipos. No kit de primeiros socorros de minha vó haviam vários analgésicos e então todos os dias eu tomo antes da aula e depois da aula, só isso me faz aguentar tudo que estou vivendo. A euforia que esses remédios me causam me deixa leve e em paz.

Me levantei, troquei de roupa, ajeitei o cabelo, tomei um analgésico, coloquei alguns dentro da bolsa e desci para a sala.

_Não vai tomar café? -minha vó perguntou quando eu já ia sair-.

_Estou sem fome, como no caminho da aula. -disse-.

_Pega pelo menos essa maçã. -ela disse e fui na mesa, peguei uma maçã, me despedi dela e saí-.

Dylan estava me esperando para irmos para escola, assim que entrei dentro do carro ele me puxou para um selinho e meu estômago revirou.

_Noassa, você está horrível. -disse me olhando-, Que olheiras são essas?

_Não estou dormindo muito bem. -disse e sorri amarga-.

Ele deu partida no carro e fomos até a escola, chegando lá ele parou na última vaga do estacionamento onde quase ninguém tem acesso, eu já sabia o que ele queria.

_Sabe.. Sarah, este fim de semana eu senti sua falta. Ninguém conseguiu me satisfazer como você consegue. -ele disse e meu estômago revirou, a vontade de vomitar era absurda-, Eu quero você agora.

_Não, Dylan.. -disse tentando me afastar enquanto ele me segurava forte-.

_Porque não? -disse apertando forte meu pescoço-.

Ele apertou forte meu pescoço que não estava conseguindo respirar e com certeza aquilo iria ficar marcado.

_Eu.. Eu... -tentei falar e ele me soltou, respirei aliviada-, Eu estou naqueles dias.. -menti-.

_Então desce, você não serve pra nada nestes dias. -ele disse e eu desci do carro completamente aliviada de não ter que transar com ele-.

Antes de entrar na escola peguei um moletom preto dentro da mochila e vesti, com certeza meu pescoço estava marcado. Entrei no banheiro e não tinha ninguém, olhei as marcas vermelhas que já estavam ficando roxas. Meus olhos lacrimejaram e segurei o choro.

Entrei na cabine do banheiro e tranquei a porta, peguei um analgésico e esmaguei o comprimido com a ponta do celular e em seguida cheirei. Essa era a única coisa que me deixava em paz e controlada para não fazer uma besteira.

Dormi as aulas todas e Monse me acordou na hora do intervalo, não deu para conversar com ela porque Dylan estava na minha cola. Eu estava sentada em uma mesa com ele e seus amigos.

_Sarah, você está bem? -um amigo de Dylan chamado Josh perguntou-, Está passando mal?

_Não.. -forcei um sorriso quando Dylan me olhou com a cara fechada-, Só não estou dormindo bem.. Tem muitas coisas da escola pra fazer. -menti e ele assentiu-.

Antes do sinal tocar, Dylan me puxou para perto das arquibancadas onde não havia ninguém.

_Eu não quero você de conversa com o Josh, ta me ouvindo? -ele perguntou segurando forte meus braços-.

_Ele perguntou se estou bem e eu respondi, ou você queria responder? -perguntei e ele travou o maxilar e apertou meus braços mais forte-.

_Que isso não se repita. -disse e logo em seguida saiu-.

Fui para minha sala e lá Monse puxou assunto sobre meu estado e eu apenas disse que não estou conseguindo dormir muito bem.

Finalmente as aulas acabaram e estava na hora de ir embora, não vejo a hora de me ver livre de Dylan, antes de sair da escola entrei no banheiro e tomei mais um remédio para ter que aguentar Dylan. Estava o esperado na porta da escola quando meu celular toca indicando uma mensagem.

Mensagens

Dylan não dá pra eu te levar pra casa, tenho treino.
Dylan vá direto pra casa!

Quase não enxerguei a mensagem mas consegui ler. Saí andando a caminho de casa, meu corpo estava animado, eu estava animada mas ao mesmo tempo ruim. A sensação que estava sentido não era uma das melhores. Apertei os passos para chegar logo em casa. A essa altura meus amigos já haviam ido para casa, então aproveitei que estava sozinha para beber um pouco da minha vodka, se Monse estivesse perto iria brigar comigo.

Peguei a garrafa na mão, parei de caminhar e bebi ela quase toda em uma só golada. Assim que voltei a caminhar e guardei a garrafa, senti o efeito da bebida bater em meu corpo mais rápido que tudo, soltei um risinho e continuei caminhando até minha casa. Parece que o caminho não chegava nunca e estava cada vez mais cansada e cambaleando. Escutei um ronco de motor alto ao meu lado e mesmo com a minha visão péssima vi que era Oscar.

Ele desceu do carro e veio até mim com a cara fechada de sempre, quase cai e me segurei nele com um sorrisinho no rosto.

_Esta passando mal? -ele perguntou e eu neguei com a cabeça-.

_Claro que não. -ri dele e ele me segurou mais forte para que eu não caísse-.

A essa altura eu já tinha perdido o controle do meu corpo, minha visão toda escureceu e não vi mais nada.

OSCAR

Eu havia ido buscar César na escola mas ele já tinha ido para a cada dos amigos, no caminho pra casa vi Sarah andando na rua, ela estava cambaleando e quase caindo. Parei meu carro e desci pra ajudar ela, ela estava pálida e suando frio, suas pupilas estavam dilatadas e eu conhecia muito bem esses efeitos.

Não demorou muito e ela desmaiou em meus braços, a segurei firme e a levei para dentro do carro, a levei para minha casa e logo liguei para a abuelita de Ruby, se a levasse no hospital achariam que eu fiz isso com ela. Abuelita não demorou muito e logo chegou, a levei ao meu quarto onde Sarah estava deitada. Ela tirou a blusa de frio que Sarah estava e haviam várias marcas em seu corpo, na barriga, pulso e principalmente no pescoço.

_Oscar, não foi você que fez isso com ela.. Né? -abuela perguntou me olhando-.

_Não, Claro que não. -eu disse e ela assentiu-, Ela estava voltando da escola e estava quase desmaiando na rua. Eu a ajudei. -eu disse ela assentiu-.

O corpo de Sarah estava cheio de marcas e aquilo me intrigou muito, tenho certeza que aquele merdinha fez isso com ela, mas preciso que ela acorde e me diga quem foi.

Abuelita fez tudo que pode e felizmente Sarah está fora de perigo, por pouco não acontecia o pior. Abuelita me chamou até a sala para conversamos.

_Daqui a pouco ela acorda. -ela disse e eu assenti-, Olha, Oscar. Ela precisa de ajuda, não a deixa usar mais drogas. Ela estava tomando remédios, por pouco não acontece o pior.. Eu achei isso na mochila dela. -abuela me mostrou uma garrafa de vodka quase no fim e vários comprimidos-.

_Pode deixar comigo, ela não vai mais usar nenhum tipo de droga. -eu disse e a abracei-, Muito obrigado por salvar a vida dela.

Abuelita foi embora, eu quis pagá-la pelo que ela fez por Sarah mas ela não aceitou de jeito nenhum. Dei uma olhada em Sarah e ela ainda estava dormindo, fui tomar um banho e preparar algo para ela comer.

Fuga Na Madrugada | Oscar DiazOnde histórias criam vida. Descubra agora