As luzes neon brilham em diferentes tons de vermelho e azul, iluminando o lugar que um dia fora uma estação de metrô, o subterrâneo escondido onde muitas coisas aconteciam bem em baixo do nariz do novo governo, se é que essa bagunça no parlamento poderia ser chamada assim.
O submundo se tornou um refúgio para a maior parte das atividades ilegais de Segeul.
Quem diria que vinte e poucos dias trariam tantas mudanças?
As primeiras semanas de uma Segeul independente eram para ser preenchidas de todo tipo de comemoração, mas a realidade se mostrou um total oposto.
Os militares não demoraram a eleger um dos seus para o cargo mais alto e desde então as coisas só caminham para mais mudanças: Agora militares desfilam pelas ruas em seus uniformes (Não passava de um conjunto pesado de cor cáqui escuro para camuflagem, com detalhes em branco e verde referentes a bandeira de Segeul) e fuzis como um aviso de que tinham carta branca para usar violência se necessário, nenhum ato contra o governo seria tolerado e um centro de reabilitação estava sendo construído na extensão do deserto, o mais distante possível da civilização.
Aya assistiu de camarote o sonho de sua mãe ser destruído, pisoteado em apenas algumas semanas.
Quando os dois sairiam do conforto do hotel, ainda tinha uma esperança ínfima de que não sabiam que ela era importante, mas não demorou nem dois dias para ser dada como desaparecida. A acharam em menos de uma semana quando por um descuido descobriram a pousada em que estavam, ela só conseguiu rir da ironia quando três homens com armas miradas e carregadas disseram que teria que ir com eles.
Aya podia não ter força física para encarar os três, contudo, os levou na conversa até que Wooseok conseguisse os atacar e tira-la daquela situação em segurança. Podia se lembrar claramente do sorriso debochado que deu quando sua mãe o apresentou: Um cara alto e esguio com uma única característica intimidante que a atormentou por muitas noites — Os olhos. — Duvidou seriamente que Wooseok conseguiria machucar uma mísera mosca, mas se surpreendeu quando em um piscar os três soldados estavam desacordados aos seus pés e entendeu porquê sua mãe o contratou.
Desde então eles não param quietos em lugar algum, sempre se movendo antes de serem descobertos e agora o submundo era um último recurso, um ato desesperado para sair daquela situação.
— Fica por perto. — A voz de Wooseok a rouba um arrepio quando ele fala tão perto por causa da música, mas ela o ignora e sorri, dando um vislumbre do escárnio que carrega em sua voz.
— Acho que você que vai ter que se preocupar em ficar por perto. — A resposta o fez arquear a sobrancelha.
Aya não se incomodava em estar no meio de pessoas envolvidas com questões não legais, muito menos com o cheiro forte de álcool e cigarro, não quando vivia frequentando lugares definidos como barra pesada a um bom tempo. Conseguia ver alguns rostos conhecidos enquanto caminhava pela estação e se misturava, mas só manteve a cabeça baixa sob o chapéu de pescador porque não queria chamar atenção.
— Esqueceu que um dos motivos da mamãe te contratar foi para evitar que eu saísse até toda essa porcaria política passar? — Ele joga a cabeça para o lado em compreensão sem conseguir discordar que uma das ordens que recebeu era para não a deixar sair do hotel sem motivo, no fim, foi exatamente isso que os aproximou. — Chega a ser irônico estarmos em um lugar assim.
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Basquiat » » Pentagon
Fanfiction"Se a rebelião tem uma voz, então a faremos ser ouvida." Segeul havia acabado de se tornar um país independente quando a república que mal havia se consolidado colapsou. Os militares junto de influentes políticos deram um golpe de estado e tomaram o...