Pov S/N
03:00 da manhã
Eu corria, corria mais do que eu podia, só eu estava exausta, eu já não suportava ter que correr tanto. Mas, eu sabia, sabia que se eu parasse de correr, ele iria me alcançar e encostar aquela coisa horrenda no meu rosto. O porque eu não sei, só sei que era quase uma certeza de que eu estava sem opções.
Eu acabo tropeçando no meu cadarço que já estava cedendo a muito tempo.
Eu caio no chão num piscar de olhos, e junto do meu rosto que sangra com a pressão que chegou no asfalta, o meu coração erra as batidas e eu entro em pânico, mas não por eu ter esfolado o meu queixo nú nas pedrinhas do chão na rua, não por conta do sangue que escorria do meu rosto e descia do meu pescoço até minha blusa. Isso era a última coisa com que eu me preocupava, eu estava em pânico porque eu sabia que não podia mas fugir, ele já havia me alcançado e estava em minha frente junto daquela boneca assustadoramente macabra em suas mãos.Ele pega em meu braço e me tira a força do chão, com uma força sobre humana, eu pudia sentir a circulação do sangue falhar de tão forte que ele apertava o meu braço. E na outra mão estava ela, tão sem vida mas, com uma presença que te dava calafrios.
A boneca tinha uma cabeça toda preta, um preto mais escuro do que a noite sem luar. O vestido que ela usava, era desbotado e todo rasgado, só de olhar para ela, já dava para perceber que estava abandonada a anos aonde encontramos ela.
De início não damos a devida atenção mas, quando ela se moveu sozinha, se levantado da cadeira que estava e caminhando sozinha até em cima da cama, nossos corações gelaram e o meu quase parou.
Agora lá estava ela, centímetros do meu rosto, eu só podia gritar. Eu gritava e gritava, eu só podia gritar, o desabafo dos meus gritos eram o suficiente para compensar os esforços que eu não podia mas fazer e as chances que não existiam de eu conseguir fugir.
Eu estava quase desmaiando por conta da exaustão, eu estava sangrando e meu melhor amigo segurava com toda força que tinha, o meu braço, não tinha o que eu podia fazer, apenas aceitar.
Aceitar o fato de que eu estava perdida em um bairro que eu não conhecia, e que o medo me consumia cada vez mais...
O que antes de dizia ser o meu melhor amigo, agora já aproximava a boneca do meu rosto, manchando o meu rosto com a coloração negra que cobria a cabeça da boneca, manchou minhas bochechas, meus lábios, minhas mãos.
O cheiro...eu pude sentir o cheiro da boneca quando ele encostou ela em mim.
Ela tinha cheiro de enxofre e cheiro de alguma coisa morta a anos, o cheiro era muito forte e eu já não conseguia mais respirar, eu tentei, mas não consegui.
Tentava encher os meus pulmões com o ar que ainda me restava, mas não saia nada, eu fiquei naquela eterna agonia até, eu fechar os olhos e começar a escutar um barulho de despertador, o som era muito alto e ecoava como um eco por todas as partes da rua.
Quando eu abri meus olhos, eu pulei da cama.
Comecei a esfregar minhas mãos, minhas bochechas e meus rosto, para ter certeza de que aquela coisa negra que me consumia aos poucos iria sair do meu corpo. Eu esfregava desesperada e quase nem conseguia respirar, eu estava em pânico e não parava de gritar.Até que a porta do meu quarto se abre e vejo uma silhueta de mulher se aproximando de mim e sentando ao meu lado na cama, envolvendo os seus braços no meu corpo e me dando um abraço apertado tentando me acalmar.

VOCÊ ESTÁ LENDO
The blackout in the dollhouse (Robert Sheehan+You)
HororO que vem em sua mente, quando se trata da palavra fobia? Muitos consideram a fobia como um medo exagerado de algo específico ou até mesmo frescura, ou medo de criança. Mas, para S/N, a fobia perseguia ela desde muito pequena. A fobia de bonecas...