Frizz e um tapa em minha bunda - O Casamento - Parte 2

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Senti o ar úmido de Nova Iorque imediatamente ao descer do avião.

O aeroporto estava lotado naquela sexta-feira de manhã, e por conta disso, acabei ficando presa na alfândega por cerca de 40 minutos. Quando enfim consegui passar pelas matracas e pegar minha mala, começou a chover. E não era uma chuvinha do tipo "Olha que legalzinho haha, tá chovendo". Era como se Deus estivesse pronto para nos mandar o segundo dilúvio. Com isso, todos que estavam fora do aeroporto, tiveram de entrar para dentro, tornando o lugar cada vez mais atulhado e afobado.

Comecei a ligar desesperadamente para meu pai mas por conta do aglomerado de gente, não consegui ouví-lo direito do outro lado da linha. Em meio ao tumulto, dei uma olhada em meu cabelo para analisar seu estado pós viagem. Eu havia audaciosamente o cortado até um pouco abaixo dos ombros, o que para mim realmente fora algo radical, visto que meu cabelo sempre bateu perto da cintura.

Não sei o que me deu, queria mudar, queria fazer algo "diferente", parecer mais madura para quando chegasse em casa. Mas o que me resultou realmente foram grandes surtos de raiva para lidar com o frizz. A parte boa era que ele estava mais volumoso e ondulado, não estava tão sem graça como sempre.

Voltando a realidade, pessoas esbarravam em mim o tempo todo e várias outras derrubavam minha mala sem nem olhar para trás. Eu nem tinha claustrofobia e já estava extremamente incomodada, imaginei quem tivesse estando naquele lugar agora.

Por um milagre divino, atravessei o aeroporto no sentido nordeste e parando em frente ao portão 6 de embarque, pelas janelas de vidro, enxerguei um homem de meia altura com uma enorme capa de chuva amarela em frente a um Sedan preto. Comecei a acenar para papai para que ele me visse, o que só deu certo após uns 3 minutos de tentativa. Ele também devia estar preocupado ao imaginar como me acharia naquela situação.

Papai pegou um guarda-chuva que estava no banco de trás do carro e fez sinal para que eu fosse até a entrada da esquerda. E assim o fiz. Andei tentando correr no meio de tanta gente com minha mala em mãos e ao sair do aeroporto, papai logo me envolveu em um de seus braços e no outro segurava o guarda-chuva enquanto corríamos até o carro.

Por fim, deu tudo certo, cheguei em casa às 9:37am e consegui conversar e matar um pouco de saudade de minha família. Mamãe estava brava porque eu não iria almoçar com eles, mas eu já havia prometido a Marlee que iria assim que possível para a chácara. Haviam muitas coisas a serem feitas.

11:40am eu e papai fomos para o carro para que ele me levasse até a chácara. Eu percebi que ele mudara o semblante totalmente quando colocou o endereço no Google Maps.

— Eu nunca ouvi falar desse lugar em toda minha vida — Comentou ele colocando o cinto.

De fato, senti que estávamos perdidos quando passamos da terceira entrada da cidade diretamente para um caminho sem pé nem cabeça, ou que Marlee e Carter iriam se casar no fim do mundo. Só para melhorar, a chuva embaçava toda a vista e mal conseguíamos enxergar as placas. Tentei ligar para minha amiga. Não tinha sinal, ótimo.

— Tomara que esse tempo passe até domingo — Falei olhando para nuvens pesadas e carregadas acima de mim segundos antes de papai brigar com a mulher do aplicativo.

— Você não sabe de nada, estamos no meio de um milharal — Reclamou ele.

— "Em 200 metros, vire à direita" — Disse ela em resposta.

Comecei a rir mas a preocupação de estar perdida me fez parar e tentar avistar qualquer resquício de casa, placa ou portão a minha frente. Até que por fim, antes da transição de uma plantação de milho para uma de soja, entre duas palmeiras enormes, havia uma grande portão de madeira aberto com um pedaço de aço em cima de onde se encontrava o nome da chácara.

Sr. Maxon SchreaveOnde histórias criam vida. Descubra agora