A confusão de semanas atrás deixou algumas sequelas no centro de reabilitação, que teve sua segurança dobrada e mais militares concentrados ali. Jinho passou seus dias tendo que limpar os chuveiros do complexo masculino, o hematoma logo abaixo de seu olho ganhava tons mais claros com o passar do tempo e já não via a hora de sair da solitária.
Queria falar com Micha, ter certeza de que ela estava bem.
Só a viu depois de uma semana quando decidiram que era hora dele voltar para a cela habitual e para sua surpresa, ela o recebeu com um breve sorriso, não parecia estar brava com sua atitude e assim que a porta da cela se fechou o sorriso no rosto da ruiva aumentou ao notar a única chave que ele a oferecia.
Ele a entregou dizendo que era seu pedido de desculpas, que esperava que não sentissem falta da chave reserva dos chuveiros e que agora ela poderia se limpar quando estivesse sozinha e com o caminho livre para ir até lá. Então não disse mais nada, sem perguntas sobre o que havia acontecido ou sobre quem Micha era.
Ela, por sua vez, pegou a chave e o abraçou, o pegando de surpresa novamente e sussurrando um breve agradecimento. Teve muito tempo sozinha para pensar sobre o que havia acontecido e já não estava mais com raiva.
Pela primeira vez os dois conversaram cara a cara, sentados na cama de baixo do beliche, tramando qual seria a melhor forma e horário para que ela conseguisse escapar até os chuveiros e conversando sobre qualquer assunto banal que surgisse como uma maneira de esquecer tudo o que estava acontecendo, perto demais um do outro para dizer que era apenas uma troca de sussurros madrugada adentro.
Assim os dias passaram.
Wooseok sempre estava por perto, os mantendo a par de qualquer coisa que descobrisse ou notícias do lado de fora, não havia sinal de Hwitaek naquele prédio e a essa altura ele era o único meio que conseguiriam qualquer contato com o mundo exterior.
Ele precisava de qualquer notícia de Aya, era a única coisa em que conseguia pensar sozinho em sua cela. Sentia muita falta dela, de cada detalhe que fez questão de notar nos meses em que ficaram juntos.
Fez questão de se lembrar de cada um deles e na mesma noite, quando já estava cansado de olhar para o teto e com os pensamentos a mil, um pedaço de papel passou pela fresta da porta.
Wooseok praticamente pulou da cama para tentar ver quem estava ali, mas tudo o que conseguiu espiar foi o vulto de um uniforme militar se distanciando no corredor pouco iluminado. Não enrolou para pegar o pedaço de papel e o abrir, um sorriso aliviado foi inevitável quando o leu.
"Ela chegou em segurança."
— Hui.
✗
— Quanto tempo acha que vamos ficar presos aqui? — A pergunta de Jinho fez Micha encolher os ombros.
— O governo não vende esse lugar como uma prisão. Não temos julgamento ou sentença concreta, consequentemente, vamos ficar presos aqui enquanto formos uma pedra no sapato do novo governo.
— Acha que aguenta mais alguns anos nessa tortura?
— Não é como se a disforia já não fizesse parte da minha vida fora daqui. — Ele não podia ver qual a expressão que Micha fazia, mas tinha certeza que era uma careta. — Jinho?
Depois de duas batidas na cama de cima o rosto dele aparece.
— Diga.
— Você ouviu do que eles me chamam aqui dentro e o nome que usam. — Quando viu que o assunto era sério já estava descendo de sua cama para se sentar ao lado dela na cama de baixo. — Eu estava esperando que você me enchesse de perguntas e com certeza você já sabe que aquele é meu nome morto e qual o motivo de terem me colocado no complexo masculino. Não está curioso?

VOCÊ ESTÁ LENDO
Basquiat » » Pentagon
Fanfiction"Se a rebelião tem uma voz, então a faremos ser ouvida." Segeul havia acabado de se tornar um país independente quando a república que mal havia se consolidado colapsou. Os militares junto de influentes políticos deram um golpe de estado e tomaram o...