Capítulo 1

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Nem os pássaros que voavam cantarolando belas melodias e tampouco as cristalinas águas dos rios que corriam pelo Reino de Eldar, visíveis através de uma sacada do deslumbrante e imponente palácio dos elfos, eram capazes de saciar a curiosidade de Luthien. Ela, a princesa do Reino dos Elfos, nunca havia se quer colocado seus pés para fora do palácio real. Seus pais diziam que o motivo dela ficar trancada era para sua proteção, e que quando ela tivesse idade suficiente ela poderia sair para andar pelo reino. Luthien tinha contato apenas com sua família, seus serventes e Annael, uma elfa das trevas que era sua melhor amiga. A princesa admirava muito sua melhor amiga, já que elfos negros eram bem raros. Tão raros que chegam a ser lendários. A pele acinzentada e os cabelos brancos de Annael, somados a sua magia de carga sombria, eram muito atrativos para Luthien. Na verdade, Luthien sentia que se parecia mais com sua amiga do que com sua própria família.  Seus pais, o rei Elrond e a rainha Elentari, possuíam cabelos loiros e reluzentes como a luz do sol, enquanto os seus eram brancos como a luz do luar, e sua pele, levemente acinzentada como a de Annael. A única característica semelhante a de seus pais, era a coloração verde e penetrante de seus olhos. Luthien também sentia um pouco de inveja de sua amiga, uma vez que ela praticava suas magias com grande maestria, e Luthien se sentia fraca. 

A lua brilhava muito forte no céu de Eldar. Sua luz penetrava através da janela entreaberta do quarto de Luthien, que observava sua melhor amiga fazendo truques, admirando-a e pensando "como eu queria ter pelo menos um pouquinho dessa habilidade toda". Um feixe de luz lunar foi de encontro aos olhos de Luthien, que por uma fração de segundo, refletiu-a em vermelho. Annael ficou confusa e surpresa, não acreditava no que seus olhos estavam vendo.

— Lu, eu acabei de ver um reflexo vermelho em seus olhos. — Annael dizia, se esforçando para não atrapalhar-se de tanto nervosismo. 

— O que, está louca? — Luthien retrucou incrédula. Não acreditava nem um pouco em sua amiga, afinal, de onde esse tal reflexo viria? — Pare de falar bobagens.

— Não, não estou. Eu juro. Foi quando você olhou pra lua... — A elfa negra logo se apressou em pegar um espelho para provar à sua amiga de que não estava louca.  Posicionou o espelho na frente de Luthien, que virou um pouco a cabeça para conseguir ver bem.  Ela logo enxergou o tal reflexo vermelho em seu olhar, e assim como sua amiga, se assustou. As duas embasbacadas se entreolhavam boquiabertas. — Viu, lu? Não estou louca! — Annael logo se sentiu orgulhosa por mostrar para sua amiga que estava correta, mas percebeu que ela não parecia nem um pouco feliz ao descobrir o fascinante reflexo em seu olhar. — O que houve? Por que está tão séria? — Preocupada, logo perguntou.

— Será possível que eu não possa ser normal? Nunca fui muito boa com minhas habilidades élficas, e agora isto? Eu sou uma vergonha, uma aberração. Realmente é desse tipo de elfa que nosso povo vai precisar que governe no futuro? Uma vergonha pra sociedade dos elfos! Fiz 18 anos na semana passada, e nem  se quer posso sair do palácio. Será que sou tão fraca? Tão vergonhosa? — A princesa parecia tão chateada que era capaz de explodir. Pobre Luthien. Sua insegurança era a sua ruína. 

Annael muito preocupada e triste por ver sua amiga se subestimando tanto, rapidamente  colocou a mão em seu ombro, e estava pronta para consolá-la. Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, a rainha Elentari adentrou o quarto.

— Vamos, Annael. Está tarde, e minha doce Luthien precisa logo ir dormir. Amanhã cedo preciso conversar sobre algumas coisas importantes com ela. — A rainha, com uma voz suave, porém firme, disse em meio a um gentil sorriso. A elfa apenas consentiu com a cabeça, com os olhos tristes. 

Antes de ir embora, olhou para sua amiga mais uma vez. Luthien parecia inconsolável. 

— Não se esqueça, Lu. Você é especial. — Annael disse antes de se virar e ir embora. Saiu do palácio tão rápido quanto entrou.

A princesa Luthien foi se deitar pensativa, temia a conversa com sua mãe no dia seguinte. Não fazia ideia do que se tratava. Mas mesmo com tantos pensamentos ansiosos, adormeceu.

BETWEEN: Magic & BloodOnde histórias criam vida. Descubra agora