Alyssany
Eu pensara que o medo da tempestade de raios era a pior coisa que poderia sentir naquele dia, mas então eu me deparei com aquela figura enigmática, imóvel sobre o parapeito da alta varanda.
Quando sua cabeça virou-se em minha direção, o que eu imaginara ser o rosto de um psicopata era na verdade um fóssil de cabra como capacete. A entidade me olhou, e naqueles olhos era espelhado o terror e o desespero que apoderava-se de mim até não restar mais nada; o meu rosto coberto de horror, que era bem semelhante à expressão de Damian ao chegar na porta.
A criatura mais parecia uma pessoa comum, talvez mais alta que o normal. As costas bem alargadas faziam-me pensar em grandes músculos, ou várias camadas de roupas que escondessem bem sua identidade. Verdadeiramente, com tanto tempo passado na biblioteca, jamais li sobre algo que lembrasse sua fisionomia peculiar, ou algum nome relacionado à ela. Era uma entidade totalmente desconhecida e nova para mim, que eu procurarei por cada canto deste mundo e qualquer outro existente, sobre quem és.
E então, a figura enigmática pulou, e eu corri em passos velozes para ver o que lhe aconteceu, mas não havia nem sinal ou evidência de que alguém havia entrado no castelo, muito menos que feriu alguém, exceto por uma única falha.
Seu único grande erro, foi deixar que uma pena da plumagem de um corvo fosse deixada para trás. Eu a peguei, segurando-o firmemente para que a ventania não levasse embora a prova de que eu não estava sonhando, e que o vi de fato, escapando diante dos meus olhos.
O céu se rasgou num trovejar, e meus olhos marejados se iluminam com a fúria de Gal, a Deusa da natureza, que naquele dia havia tido sua ira despertada, mas ninguém nunca soube quem a causou.