Ghostyling
Jane Rutterford, 16 anos, repórter do jornal da escola e aspirante a Letras, vive com um zumbido constante em sua cabeça: uma voz que edita seus dias como se fossem páginas, ajustando horários, empurrando coincidências e reescrevendo decisões. Quando Jane publica um editorial que não estava "no roteiro", a cidade responde com sirenes e, poucas horas depois, sua mãe morre. O luto a empurra para a única conclusão possível: aquilo não foi acaso; foi custo. E ela promete matar o Narrador.
Entre corredores de escola cheirando a toner, palmeiras que fingem calma e helicópteros recortando o céu, Jane começa a pautar a própria guerra. Ela coleta recortes, grava mensagens, entrevista colegas e rastreia padrões de intervenção - frases surgidas "entre aspas", encontros desviados por minutos, versões que mudam sozinhas. A cada avanço, a voz contra-ataca, tentando dobrá-la de volta à personagem "boa aluna observadora". Pistas íntimas surgem: um apelido de berço que ninguém deveria saber, uma cantiga que a mãe nunca explicou, um cheiro de hortelã com nicotina. A investigação deixa de ser apenas metafísica; talvez o Narrador tenha rosto.
Em suspense psicológico tenso e poético, Los Angeles atua como personagem e espelho, enquanto Jane questiona autoria, ética e destino. Se falhar, vira capítulo. Se vencer, redefine a história. O plano começa com uma pergunta que é faca e ponte: como se mata uma voz?