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No princípio de todas as coisas habita a imperfeição, mas nada prepararia o cosmos para a beleza insolente dela - uma criatura terrena com a graça de Afrodite e a eloquência de Calíope. Um enigma vivo pelo qual uma alma divina ousou se apaixonar.
Mas no Olimpo, o amor é um privilégio moldado pelo poder e pelo gênero. Para os deuses, o afeto de uma deusa por uma mortal não é apenas uma audácia; é um delito irreparável. Sob o peso de uma justiça hipócrita e cruel, aquela que ousou amar foi trucidada, desfeita e apagada da memória dos tempos. O crime? Não ser Zeus. Não ter o direito de possuir, apenas o de ser punida por amar profundamente.
Do que restou dessa divindade esquecida, não há mais nome, corpo ou herança. Restou apenas um eco errante no vazio e uma certeza inabalável: a memória vívida daquele primeiro olhar atordoado. Eles destruíram sua imortalidade, mas não puderam aniquilar o fato de que, um dia, ela a amou.
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Capa: @toriasavessas