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Harry Styles sempre teve certeza de que seguiria os passos dos pais e se tornaria médico. Sentia isso antes mesmo de compreender o verdadeiro peso da profissão, mesmo crescendo cercado por ausências silenciosas que deveriam ter sido preenchidas pela presença familiar. Sua infância foi confortável e amorosa, mas marcada pela solidão. Entre escola, aulas de francês, música, tênis e hipismo, Harry aprendeu cedo a ocupar os vazios enquanto os pais passavam dias e noites no hospital. As histórias antes de dormir eram substituídas por exames espalhados sobre a mesa e conversas cansadas depois de longos plantões.
Quando tinha 10 anos, as brigas começaram. Harry ouvia discussões abafadas atrás das portas, acusações lançadas em busca de um culpado que, anos depois, entenderia nunca ter existido. Pouco tempo depois, o pai se mudou para outro continente e a mãe se tornou ainda mais distante. Aos 16 anos, perdeu também a companhia da irmã - sua maior confidente - quando ela foi morar com o pai após conseguir a vaga dos sonhos em um hospital. Harry ficou feliz por ela, mas devastado por si mesmo. Era apenas a vida acontecendo: pessoas partindo, ciclos terminando.
De repente, estava sozinho em uma casa grande demais. Acordava sozinho, jantava sozinho, atravessava dias inteiros em silêncio. Harry aprendeu a conviver com a ausência e abandonou qualquer esperança de recuperar a antiga sensação de lar, aquela ligada às lembranças borradas da infância e ao cheiro de biscoito de canela.
Agora, aos 18-quase-19 anos, Harry finalmente iniciava a realização de seu único sonho possível: cursar medicina e se tornar neurologista, assim como a mãe. Nunca se permitiu pensar em si mesmo além do futuro acadêmico porque temia decepcionar os pais e descobrir o que existia dentro das partes de si que passou anos ignorando.
Tudo muda quando Louis Tomlinson surge em seu caminho: solar, encantador, mais velho e dono de olhos azuis afiados que fazem Harry questi