Gojo_baby
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Não quero o teu rubi correndo em veias,
nem o temor que gelas tuas mãos.
Não busco um corpo feito de madeixas
ou o calor passageiro dos teus anos.
Quero o que há depois do último arrepio,
o brilho que persiste no penumbra,
o eco do teu riso no exílio
onde a carne, já cinza, se desumbra.
Far-me-ei sombra no teu sol da tarde,
vulto gentil no limiar do sono,
virei promessa que teu peito guarde
e, no teu sono, serei abrigo e trono.
Roubarei o instante em que, deserto,
teu olhar se perder no firmamento
- e ali, na frágil ponte do incerto,
morderei não a carne, o pensamento.
Porque o sangue é um êxtase que finda,
um doce temporal de curta hora.
Mas a alma que em teus lábios se entrelinda
será em mim eterna e voluptuosa.
E quando o corpo for pó itinerante,
quando o tempo este teu nome apagar,
eu, cárcere de amor imanente,
guardarei o que ninguém pode levar:
o último suspiro que me deste
- não de terror, mas de entrega franca -
será, na noite sem fim que me resta,
a taça onde minha sede é em ti se faz aliança.