scarlattehung
Dizem que algumas paixões nascem devagar, como fogo que precisa de faísca, vento e tempo.
A minha não.
A minha explodiu.
No exato instante em que ele entrou na sala de reuniões, atrasado cinco minutos, terno escuro impecável, olhar firme demais para alguém que estava prestes a assumir o controle da maior decisão da minha carreira.
Meu chefe.
O CEO da multinacional onde eu trabalhava há três anos.
O homem que eu só conhecia por e-mails frios, relatórios e números.
Até aquele dia.
Até aquele olhar.
Foi algo físico antes de ser lógico. Um calor estranho subindo pela espinha, um aperto no estômago, como se meu corpo tivesse reconhecido algo que minha mente ainda não era capaz de nomear.
Desejo.
O tipo perigoso. Proibido. Irracional.
O tipo que não combina com cargos, hierarquias e reputações.
E eu teria conseguido lidar com isso - com a culpa, com a tensão silenciosa, com os olhares longos demais e as conversas curtas demais - se a vida não tivesse resolvido me testar de outra forma.
Porque foi exatamente quando eu comecei a me perder nele...
que descobri que meu melhor amigo estava apaixonado por mim.
Não era um CEO.
Não era inalcançável.
Não era proibido.
Era só alguém que sempre esteve ali.
E, pela primeira vez, eu percebi que algumas escolhas não envolvem certo ou errado.
Só envolvem quem você é...
e quem você está prestes a se tornar.