GecieleGdj
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- Capitole 102
Sabe quando o medo se torna a única coisa que te faz sentir viva?
Para Ayla Dutra, o medo nunca foi um inimigo; foi sua companhia mais constante. Ele estava lá quando, aos seis meses de vida, o colo da mãe foi substituído pelo frio de um berço de orfanato. Ele ecoou nos corredores de cada casa temporária, em cada tentativa de adoção que terminava em malas feitas e silêncios pesados. Ayla não aprendeu apenas a andar ou a falar; ela aprendeu a decifrar a rejeição antes mesmo que ela fosse dita.
Agora, aos dezoito anos, o medo tem um novo rosto: a liberdade.
Diante do portão do único lar que conhecia - por mais imperfeito que fosse -, ela carrega o peso de uma mochila gasta e o sustento de alguns poucos trocados, fruto de circuitos soldados e telas de celulares remendadas. Ayla está sozinha, mas, pela primeira vez, o medo não é sobre o que vão fazer com ela. É sobre o que ela fará com o mundo.