PollyCristina
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O silêncio do quarto de Stiles Stilinski foi quebrado não pelo despertador, mas por um grito mudo que morreu em sua garganta seca. Ele sentou-se abruptamente na cama, o peito subindo e descendo em espasmos violentos, o suor frio colando o lençol às suas costas. Seus olhos castanhos dispararam pelo quarto, mas o que ele via não era o caos de roupas sujas e pilhas de livros de química. Ele via cinzas. Ele via o rosto pálido de Allison sob a luz da lua, sentia o toque gélido do Nogitsune em sua mente e ouvia o som de ossos quebrando na floresta.
Stiles levou as mãos à cabeça, apertando os fios de cabelo com força. As imagens vinham em ondas: a morte de Boyd, o sacrifício de seu pai, o brilho dos olhos vermelhos de Scott, e a partida constante de Derek. Ele sentia como se sua mente fosse um rádio sintonizado em todas as estações de tragédia ao mesmo tempo.
- Respira, Stiles. Respira - ele sibilou para si mesmo, mas sua voz soou diferente. Era a voz de alguém que tinha visto o fim do mundo, não a de um adolescente de dezesseis anos preocupado com o banco de reservas do time de lacrosse.
Ele tateou a mesa de cabeceira e encontrou o celular. O modelo era antigo, um flip phone que ele não usava há anos. Ao abrir a tela, a data o atingiu como um soco no estômago. Faltavam vinte e quatro horas. Vinte e quatro horas para o xerife receber a ligação sobre o corpo de Laura Hale. Vinte e quatro horas para ele arrastar Scott para a floresta e mudar a vida de seu melhor amigo para sempre, condenando-o a uma vida de violência, medo e responsabilidade.
- Não - sussurrou Stiles, levantando-se com as pernas trêmulas. - Desta vez não.