miguelitodylangrazer
Richie Tozier sempre foi apaixonado por Eddie Kaspbrak. Desde a adolescência, quando os dois ainda eram apenas dois garotos idiotas tentando sobreviver a Derry, Richie já sabia. Ele gostava do jeito que Eddie reclamava, do jeito que ficava nervoso, das pequenas coisas que ninguém parecia notar. O problema era que Eddie nunca demonstrava sentir o mesmo. Ou, pelo menos, era isso que Richie acreditava. Aos 16 anos, depois de passar tempo demais tentando esconder o que sentia, Richie decidiu fazer algo estúpido: começou a namorar uma garota. Para ele, aquilo seria uma espécie de cura. Se conseguisse gostar dela de verdade, talvez finalmente esquecesse Eddie. Funcionou. Por alguns meses. Até reencontrar Eddie. Bastou um olhar para Richie sentir aquela velha dor no peito voltar. A mesma sensação. O mesmo amor. Talvez ainda mais forte. Eles cresceram. A vida aconteceu. Cada um seguiu seu caminho. Até os 40 anos. Richie estava casado. Tinha construído uma vida aparentemente perfeita. Mas Eddie havia morrido. E algumas coisas simplesmente não morrem junto com uma pessoa. Sempre que Richie lembrava de Eddie e acabava chorando escondido, sua esposa percebia. No começo, tentava confortá-lo. Depois de anos vendo o mesmo homem chorar pelo mesmo garoto, porém, a paciência começou a desaparecer. Até que, numa dessas noites, ela finalmente explodiu: - Eu me esforço para ser boa pra você... e você ainda está apaixonado pela droga de um garoto morto! E Richie não respondeu. Porque, pela primeira vez, percebeu que talvez ela estivesse certa. Ele ainda amava Eddie. Aos quarenta anos, depois de uma vida inteira tentando enterrar aquele sentimento, Richie finalmente precisava encarar a verdade: Eddie nunca tinha sido apenas uma paixão adolescente. Ele tinha sido o amor da vida dele.