MatheusLima822
Durante o curto tempo de um exame de necrópsia, R., um imprevisível e medíocre jovem que viria a se tornar o ícone de uma sociedade profundamente apática, recém acordado de pesadelos, percebe que havia se transformado em um cadáver.
Diante da impotência de lutar contra a realidade, decidiu utilizar a consciência que lhe restou para comunicar as lições que aprendeu durante a vida. Assim, incumbiu-se de narrar todos os fatos que antecederam seu suicídio para o jovem médico legista Dr. Hugo e seu assistente Zé Ariestin, mais conhecido como "Lhama" por seu comportamento impopular de cuspir nos cadáveres com quem não simpatizasse.
R. era um jovem típico de nosso tempo. Possuía os defeitos e as qualidade comuns a qualquer outro jovem. Crescera num contexto de intensas transformações sociais e testemunhou, em primeira mão, a íntima relação causal que essas transformações possuíam com o progressivo embotamento afetivo que se multiplicava como uma epidemia entre seus conhecidos.
O mundo em que R. vivia era muito pouco diferente daquele a que o leitor deve estar acostumado, o que pode não ser evidente sem um olhar atento.
O que há de implausível nos acontecimentos narrados é meramente uma ilusão. Tudo ocorre em nosso mesmo país, nossos mesmos estados e nossas mesmas cidades. Todo momento de insanidade, todo momento de maldade lúcida, toda tragédia e toda adaptação às tragédias têm uma única condição necessária: a ação individual refletida no próprio indivíduo, como força motriz de um processo que se repete e se nutre a partir de sua própria existência.
A estória é, ao mesmo tempo, uma recontagem de lembranças vividas por uma personagem desde sua primeira crise existencial até ao ápice de sua transformação em um corpo sem vida. como, também, a constatação de que as respostas às dúvidas existenciais são sempre insatisfatórias, restando a quem deseja manter-se são a simples aceitação de que as coisas são ex