marixhfds
Yuuna nunca se sentiu inteira.
Era como se aquele corpo não lhe pertencesse - um invólucro frágil, corroído por dentro por algo que ela nunca escolheu. O câncer não apenas consumia seus pulmões, mas também roubava, pouco a pouco, tudo aquilo que fazia alguém se sentir vivo.
Respirar não era natural. Nunca foi.
Cada inspiração era uma luta silenciosa, um esforço doloroso que queimava por dentro. A única coisa que tornava aquilo suportável era o cateter preso sob seu nariz, conectado ao cilindro de oxigênio que a acompanhava como uma extensão do próprio corpo. O carrinho de ferro rangia a cada movimento, suas rodinhas enferrujadas protestando em um som baixo e constante - quase como um lembrete de que até o ar que ela respirava não era realmente seu.
Naquela tarde, o mundo lá fora parecia pertencer a outra realidade.
A neve caía suavemente além da janela, cobrindo tudo com uma camada branca e silenciosa. Era bonito. Quase mágico. Crianças corriam do lado de fora, deixando pegadas desajeitadas no chão gelado, rindo, vivendo... coisas que pareciam inalcançáveis para ela.
Yunna observava em silêncio.
Queria estar lá.
Queria sentir o frio no rosto, o ar cortante nos pulmões - mesmo que doesse. Queria rir sem que isso terminasse em falta de ar. Queria correr sem que seu corpo a traísse depois de poucos passos.
Mas não podia.
Subir seis degraus já era o suficiente para deixá-la exausta. Ficar de pé por muito tempo fazia seu peito apertar, como se mãos invisíveis. esmagassem seus poético ou puxar mais pro lado