raysool
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Toda história começa com um silêncio.
E neste caso, o silêncio é mais pesado que o próprio corpo.
O palco está vazio. As cortinas fechadas. As luzes ainda não se acenderam. Mas eu sei , sinto que há alguém me observando por trás da escuridão.
Um olhar que despedaça, que invade, que me arranca da pele como se fosse um personagem antes mesmo de ser um homem.
O teatro é uma jaula invisível. E eu sou o rato correndo dentro dela.
Aperto a alavanca, ganho migalhas. Mas cada migalha é feita de prazer, perigo, tentação.
No meio dessa história tem Beatrice, rindo alto, debochada, vivendo um romance com um homem obcecado. Tem Raylla, com seus olhos castanhos sempre sérios, enxergando a melancolia da vida como quem lê um crime anunciado. Elas são minhas amigas, minhas cúmplices, mas também espelhos de tudo que eu temo ser.
E então tem ele.
O professor.
Bad Bunny.
Carne, voz, desejo. Um homem que não deveria ser meu universo, mas que já é.
Ele me disse uma vez que o teatro não é feito de falas. É feito de ossos, de pele, de segredos que queimam no corpo.
Anatomia de uma peça.
Assim ele chamou. Assim me marcou.
E é exatamente isso que vamos escrever juntos:
Um roteiro que não cabe em palavras.
Uma dança que não cabe em limites.
Um amor que não cabe em leis.
Se essa história é uma tragédia ou um êxtase, ninguém sabe.
Mas eu já dei o salto no abismo.