anonimo_33
A Copa do Mundo deveria ser o maior sonho da minha vida.
Então por que parecia um pesadelo?
Talvez porque eu tivesse sido contratado às pressas para trabalhar com a Seleção Brasileira. Talvez porque todos esperassem que eu fosse perfeito. Ou talvez porque eu estivesse cercado pelos maiores jogadores do mundo enquanto tentava fingir que não estava surtando.
Eu só precisava fazer meu trabalho.
Cuidar das lesões.
Preparar os tratamentos.
Ajudar na recuperação dos atletas.
Nada mais.
Foi isso que eu repeti para mim mesmo quando cheguei ao hotel da seleção.
E foi exatamente nisso que deixei de acreditar quando conheci Gabriel Martinelli.
Ele era irritante.
Teimoso.
Impaciente.
E parecia ter desenvolvido um hobby estranho de aparecer na enfermaria por qualquer motivo.
Uma dor no joelho.
Um desconforto no tornozelo.
Uma pancada no treino.
Qualquer desculpa servia.
No começo, achei que fosse coincidência.
Depois, percebi que não era.
Porque alguns jogadores escondem suas dores.
Gabriel Martinelli escondia outras coisas.
E eu também.
No meio da maior competição do planeta, entre estádios lotados, pressão, vitórias e derrotas, eu descobri que existem feridas que não aparecem em exames.
E algumas delas podem mudar tudo.