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Harry e Louis cresceram juntos na mesma escola, nas mesmas ruas, na mesma cidade pequena onde todo mundo conhece todo mundo. A diferença é que o mundo de Harry é silencioso - ele é surdo e mudo - e o mundo de Louis é barulhento demais - cheio de brigas, pressões e expectativas que ele nunca pediu.
Eles se apaixonaram cedo, aos doze anos, e desde então foram criando seus próprios códigos, suas rotinas de afeto, seus esconderijos. Aos quinze e dezesseis, vivem um romance cheio de amor, desejo, inseguranças e... interrupções. A primeira vez nunca acontece. Nunca. Sempre tem algo que dá errado. Louis tenta disfarçar, mas está frustrado. Ele se pergunta se Harry realmente quer, se realmente o deseja, se realmente o ama como ele imagina - porque todo mundo ao redor parece estar "avançando mais rápido".
Ao mesmo tempo, Louis é o capitão mais jovem do time. Isso deveria ser motivo de orgulho, mas só aumenta o peso. Ele vive cercado de garotos mais velhos, mais intensos, mais experientes, que fazem piadas sobre sexo e maturidade que deixam Louis se sentindo constantemente atrasado. Ele se esforça para não parecer frágil, nem infantil, e muito menos "o garoto gay escondido".
Porque ninguém na escola sabe sobre Harry. Ele o esconde - por medo, por vergonha, por hábito, porque a cidade é pequena, porque o time é cruel, porque ele não aguentaria perder a única coisa boa que tem.
O lar de Harry é cheio de vigilância. O de Louis é cheio de violência. Entre essas duas casas instáveis, eles tentam construir um espaço que é só deles. Mas, conforme o tempo passa, as diferenças começam a pesar. Harry, todo doçura e inocência, não entende por que Louis quer tanto ser mais velho. Louis não consegue explicar sem parecer ingrato, quebrado, desesperado demais.
Louis começa a guardar dinheiro para fugir. Levar Harry com ele. Ir pra qualquer lugar onde ninguém os conheça, onde ele não precise ser o capitão, nem o filho problemático.