MademoiselleWinter01
- LETTURE 727
- Voti 61
- Parti 9
Isabel chega à cidade carregando um sonho que nunca foi realmente seu, mas herdado de uma mãe que perdeu o próprio corpo antes de perder a vida. A fotografia é sua tentativa frágil de aprisionar o tempo, como se congelar imagens pudesse impedir que o mesmo fim a alcance. Criada pela avó e pela tia, aprendeu a sorrir enquanto o corpo a traía em silêncio. Desde a infância, pequenos espasmos surgem como falhas inevitáveis. Em Paris, eles se tornam mais frequentes, mais difíceis de esconder, quase conscientes. Cada tremor é um aviso de que algo dentro dela já começou a ruir.
Nas noites parisienses, Kim Taehyung sobrevive transformando culpa em música. Dono do elitista clube de jazz La Mademoiselle e saxofonista do aclamado Carpe Diem, ele é celebrado por dar voz à melancolia que ninguém ousa nomear. Mas quando o palco se apaga, o passado o encontra. Sonhos brutais o arrancam do sono com imagens que não deveriam existir memórias de mortes antigas, de mãos que escorregam das suas, de amores perdidos antes mesmo de nascer. Ele acorda com a sensação de já ter morrido muitas vezes, sem saber que essas lembranças não são pesadelos, mas restos de vidas que se recusam a esquecê-lo.
O maior medo de Isabel não é a doença. É a certeza crescente de que seu corpo já sabe o que ela tenta negar. Que, no momento em que alguém perceber, em que a verdade for dita em voz alta, o destino deixará de ser uma ameaça distante e se tornará uma sentença.
Plágio é crime.