MariaManeiro
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Olívia não era apenas a engrenagem que mantinha o império de Scott Owen em movimento; ela era a sombra que o aquecia quando as luzes da alta sociedade se apagavam. Há mais de um ano, ela habitava o perigoso território entre o profissionalismo impecável e o desejo clandestino.
Sob o perfume caro e as ordens ríspidas de Scott, Olívia acreditava ler sinais de um amor que ele, supostamente, não podia confessar ao mundo.
Essa ilusão foi estilhaçada com a violência de um martelo sobre o vidro. O anúncio oficial veio como um golpe seco: o noivado de Scott Owen e Ana Mitchell. Não era apenas um casamento; era uma transação de sangue e poder, a fusão definitiva das duas linhagens mais ricas da América.
Enquanto o mundo celebrava a união perfeita, Olívia afogava-se em sua própria retórica de insuficiência. Ela aceitava as migalhas - os encontros furtivos em hotéis impessoais, o sexo urgente e os beijos roubados entre uma reunião e outra - porque, no fundo, sua autoestima era um deserto.
Olívia olhava-se no espelho e via apenas as curvas que considerava excessivas e o rosto que julgava comum. Para ela, Scott era um sol inalcançável, e ela, uma intrusa grata por ser notada, mesmo que apenas na escuridão.
Sua falta de amor-próprio era a corrente que a mantinha presa à mesa de trabalho de Scott. Ela nutria a esperança masoquista de que ele desistiria de tudo por ela, ignorando o fato de que, para homens como Owen, o coração é um luxo secundário diante do patrimônio. Olívia não era a protagonista de sua vida; era o segredo mal guardado de um homem que nunca planejou pertencer a ninguém além de si mesmo.