yasmimkarolaine
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Desde pequena, aprendi a caminhar sozinha. Sempre soube o que queria, sempre decidi por si própria, não por orgulho, mas porque a vida cedo me ensinou que a força também pode ser uma forma de amor. Enquanto meu pai estava vivo, o mundo fazia sentido. Ele era abrigo, direção e riso fácil nos dias difíceis. Com ele, eu acreditava que nada poderia nos faltar.
Mas o dia em que completei dezoito anos também marcou o instante em que minha história se partiu. Um acidente de carro mudou tudo. Eu sobrevivi. Meu pai, não. De repente, o silêncio ocupou o lugar da sua voz, e a ausência se tornou presença constante. Restaram minha mãe, endurecida pela dor, e meu irmão - pequeno demais para entender por que o colo que o embalava agora vinha carregado de lágrimas.
Aos vinte anos, fiz a escolha mais difícil da minha vida: sair de casa levando comigo meu irmão. Não por rebeldia, mas por amor. Vi de perto o sofrimento que nos cercava, vindo da própria família, e entendi que, às vezes, permanecer também pode ser uma forma de se perder. Partimos sem garantias, apenas com coragem e fé vacilante.
Houve dias em que a espera doeu mais do que eu imaginava. Eu achava que esperava por respostas, por descanso, talvez por alguém que viesse preencher os vazios que a vida deixou. Mas, no silêncio das minhas orações e nas noites em que chorei sozinha, descobri algo maior: eu não estava sendo abandonada - estava sendo preparada.
Deus estava me ensinando que a espera não é castigo. É processo. É cuidado invisível. É quando Ele trabalha em nós antes de nos entregar aquilo que pedimos. E foi ali, entre perdas e promessas, que comecei a entender que minha história não era sobre solidão, mas sobre confiança. Porque, mesmo quando tudo falta, Deus permanece.
E permanecer n'Ele sempre vale a espera.
{Plágio é crime, não copie as histórias dos outros, criem as suas próprias histórias, cada um tem um escritor dentro de si mesmo.}
~Quase todos os lugares, e