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Os olhos escuros já não sabem onde pousar. Ele não chora. O choro esgotou-se há semanas, quando ainda existia a ilusão de que o corpo pequeno e imóvel pudesse voltar a mexer-se.
Dois anos e três meses.
Cabelos pretos macios. Cheiro de baunilha e leite. O nome Hana.
E quatro minutos e dezessete segundos que mudaram tudo.
Desde o enterro, Jungkook dorme no quarto de hóspedes. Não toca. Não grita. Não acusa. Apenas existe do outro lado de um abismo que nenhum dos dois consegue atravessar. E Jimin, no silêncio que agora habita a própria pele, toma uma decisão. A câmera volta a ligar. O corpo que um dia foi exclusivo reaparece para estranhos. Não por dinheiro. Por algo muito mais frio e preciso.
Do outro lado da parede, o Alfa escuta.
Não entra. Não grita. Apenas fica de pé no corredor, a mandíbula travada, enquanto o som atravessa a casa como uma lâmina.
À volta deles, as outras casas continuam acesas. As crianças dos amigos brincam no jardim. A piscina permanece coberta. E, no meio de tudo, dois homens que se amaram com a mesma intensidade com que agora se destroem tentam descobrir se ainda existe alguma coisa a salvar - ou se o que resta é apenas a escolha cruel de continuar a carregar juntos a mesma culpa.
Porque o silêncio entre eles nunca mais será inocente.
E a menina não volta.