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Maria Amélia não entendia o porquê de tanta gente não medir tantos sacrifícios para conhecer celebridades. Com certeza nunca se submeteria a esperar prensada nas grades de um hotel, aeroporto ou qualquer que fosse o lugar só para ver um artista ou um influenciador. Mas, em um dia qualquer no grande Rio de Janeiro, foi forçada a enfrentar um mar de fãs para conseguir um autógrafo, a pedido da irmã, de um cantor que ela nem sabia quem era. O único problema é que só carregava consigo seu bloquinho de anotações do congresso de medicina e a caneta que prendia seu cabelo em um penteado desajeitado.
Ela não esperava que, ao final do dia, não teria conseguido fazer sua caminhada na orla de Copacabana e ainda teria o bloquinho do congresso roubado pelo cantor que se hospedava no Copacabana Palace.
Benito Antonio não sabia por que tinha pegado aquele caderno. Só percebeu que ele estava em suas mãos quando chegou ao quarto do hotel. Não custava nada ler, né? O que ele não esperava era encontrar diversos termos técnicos envolvendo medicina; seu fraco português e o Google Tradutor o ajudaram a entender, assim como algumas frases em espanhol copiadas do Duolingo.
O que começou como curiosidade virou interesse. Entre anotações sobre o sistema cardiovascular, hipóteses clínicas e rabiscos feitos às pressas, havia comentários pessoais intercalados nas folhas, pensamentos soltos, pequenas reclamações sobre o quão chatas eram as palestras, listas de coisas para fazer no Rio e a ânsia constante de voltar para São Paulo.
Mas uma anotação ganhou destaque maior. Em caneta azul, estava escrito:
"Procurar saber quem é esse tal de Bad Bunny para ir ao show com a Beatriz."
Talvez a ideia de devolver aquele caderno e discar o número escrito na primeira página fosse muito mais interessante do que ele imaginou.
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