Kaikaic00
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Liz Maitë Miller aprendeu cedo que o amor não é escolha - é contrato. Quando o padrasto arranjou seu casamento com um empresário 38 anos, separado, dois filhos e conta bancária gorda, ela entendeu que seu valor se media em cifras. Então fez a única coisa que fazia sentido: juntou dinheiro por seis meses, esperou a casa ficar vazia e fugiu.
Oito meses depois, ela trabalha no turno da noite de um posto de gasolina em Caxias do Sul, divide o kitnet com baratas e silêncio, e atende pelo nome que escolheu: Liz. Maitë ficou em Curitiba, junto com o vestido de noiva que nunca usou.
Jayson não tem sobrenome, não tem endereço, não tem plano. Tem 29 anos, uma jaqueta de couro surrada e uma Royal Enfield 500 que é a única coisa que chama de sua. Estava indo para Porto Alegre quando a moto tossiu, engasgou e morreu na bomba de gasolina.
Ele achou que era falta de combustível.
Ela abasteceu.
A moto não pegou.
Ela ofereceu o sofá.
Era pra ser só uma noite.
Mas quando o mecânico disse que o conserto levaria dois dias, Jayson precisou de um acordo. E Liz, por algum motivo que ainda tenta entender, topou.
Agora são duas pessoas que fogem de fantasmas diferentes, dividindo o mesmo espaço pequeno, o mesmo silêncio grande, e uma atração que os dois sabem ser clichê.
Clichê, só que não.
Porque quando você chama alguém pelo nome que ela esconde, quando você solta o cabelo sem perceber, quando você divide o ovo frito da marmita sem pensar - talvez não seja roteiro.
Talvez seja real.
E o real, dizem por aí, não tem estilo.
O resto é clichê.