mareesanto
Há coisas que não nasceram para serem compreendidas de imediato.
Elas apenas existem, respiram no silêncio, observam.
No começo não havia forma, apenas movimento. Algo pulsava no vazio, como um pensamento que ainda não sabia que era pensamento. Luz escorrendo devagar, asas que ainda não sabiam voar, consciência se abrindo como quem aprende a existir pela primeira vez.
A criação aconteceu sem anúncio. Não houve propósito declarado, apenas a necessidade de existir. O universo foi se formando em camadas, sustentado por forças antigas que moldavam, ajustavam e observavam à distância. Cada gesto deixava marcas: vida, ordem, ciclos. Tudo parecia estável por um tempo.
Até que o silêncio começou a pesar.
Onde havia luz em excesso, algo se acumulou. Onde havia equilíbrio prolongado, algo aprendeu a desejar o colapso. As sombras não surgiram como vilãs, nem como lendas. Elas surgiram como resposta. Como o outro lado inevitável de tudo o que foi criado.
Com o passar do tempo, manter o universo exigiu mais do que criação. Exigiu contenção. Exigiu limites. E, principalmente, exigiu que alguém vivesse dentro das consequências dessas forças em mundos moldados por decisões antigas, por conflitos que começaram muito antes de qualquer escolha individual.
Light on Void's Wings é uma fantasia sobre um universo sustentado por entidades primordiais, ameaçado pelas sombras que buscam consumi-lo, e sobre aqueles que existem no meio desse conflito silencioso. Não como deuses, mas como parte viva de um mundo instável, herdando legados, ruínas e responsabilidades que nunca pediram.
Entre luz e vazio, criação e consumo, a existência segue frágil, contínua sustentada por asas que raramente tocam o chão, mas cujas decisões ecoam em tudo o que vive.
Indicação (16+)
[Esta obra contém ilustrações de minha autoria, criadas para estimular a leitura e tornar a experiência mais imersiva.]