annalizie
No momento em que o sol desvanecia e os sonhos rompiam mentes exaustas, Amara Papoula Aislin sentia o poder formigando nas veias. Aquele era o seu reino - o seu domínio.
O Acampamento Meio-Sangue mantinha escondido sob os pinheiros uma diversidade de segredos obscuros, principalmente os futuros e almas corrompidas pelo amargor da ira dourada que semideuses renegados mantinham fundo no âmago próprio. Amara nunca ligara para isso, até o momento em que perdeu o controle de seus próprios poderes e rasgou o véu de sonhos de um semideus que fazia de tudo para escondê-los - e as consequências que caíram sobre si foram terríveis.
Tendo seu próprio caminho tomado por forças além de seu controle, a jovem filha de Morfeu vira suas próprias mãos serem atadas e sua vida ser presa à cordas num jogo sangrento de marionetes. Ela até poderia lidar com isso com alguns corvos e gritos raivosos se seu oponente não fosse o grande Titã Cronos e a decifrasse tão bem quanto o fez: ou Amara seguia suas regras e tornava-se o peão de sangue e sombras que a invasão acidental concedeu, ou os aparelhos que mantinham seu irmão mortal vivo seriam desligados um por um. Naquele tabuleiro, se sua peça saísse do caminho, Owen Aislin se afogaria na própria dor e as chamas seriam as únicas ao seu lado.
Então, para salvar aquele que mais amava, mesmo tendo de ir contra seus próprios ideais, Amara Aislin aceitou sua condenação: espionar o filho de Poseidon que acabara de chegar ao Acampamento. E a filha de Morfeu estaria determinada a fazê-lo se não estivesse fadada a perder seu coração para o mar - e todos sabemos que não adianta lutar contra a correnteza do Destino, mesmo que alguns sonhos precisem se afogar.