Felixversefic
Min Sohee sempre esteve por perto.
Não por escolha declarada, mas por permanência. Desde a infância, aprendeu a existir ao lado dele sem disputar espaço, sem pedir nome, sem exigir definição, ficar virou método de sobrevivência e amizade se solidificou em hábito.
Ele jamais chamou aquilo de amor. Preferiu o conforto das rotinas, a segurança dos gestos pequenos, a ilusão de que presença constante não cria dependência. Ainda assim, o corpo reagia antes do pensamento, um incômodo leve quando ela se afastava, um alívio silencioso quando retornava.
A amizade permaneceu intacta por fora, mas por dentro começou a aquecer. O que não era tocado se tornava mais pesado, o que não era dito se acumulava. O olhar demorava um segundo a mais, como se pedisse algo que a boca se recusava a formular.