MalisornxApasra
O Crimson Hour não era um bar normal.
As luzes vermelhas tingiam tudo de um brilho que parecia saído de pesadelos, e os espelhos, sempre estrategicamente posicionados, refletiam apenas o que queriam refletir. Yoko Apasra, 21 anos e um talento nato para estar nos lugares errados, trabalhava ali como bartender.
Ela ria quando os bêbados falavam de vampiros, zombava, limpando o balcão manchado de algo que preferia não identificar. Afinal, monstros não existiam, só pessoas ruins, e essas ela conhecia bem.
Faye Malisorn observava tudo de seu canto escuro. Por três séculos, nada a surpreendera, até aquela humana desastrada, cujo sangue trazia um aroma que a fazia esquecer seus próprios séculos de existência.
Faye não entendia. Só sabia que precisava estar perto.
Observava.
Colecionava cada detalhe: o jeito que Yoko mordia o lábio ao contar troco, os fios de cabelo que insistiam em escapar do rabo de cavalo, o rubor em seu pescoço quando o calor do bar apertava. Era uma obsessão, e Faye entregava-se a ela como um viciado à sua dose.
O pior? Yoko não fazia ideia. Não suspeitava que cada corte, cada arranhão, era um convite que Faye lutava para recusar.
E no fundo, Faye já sabia.
Aquela humana comum, que servia drinks e ria de piadas sobre mortos-vivos...
Era a coisa mais perigosa que Faye já encontrara em 300 anos.
E quando o véu finalmente cair, e Yoko descobrir o peso do que carrega nas veias, só restará uma pergunta ecoando entre elas:
Você pode amar um monstro... quando perceber que foi feita para controlá-lo?