_aleatorixy_
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- Bab 38
Walker Scobell aprendeu cedo a não ficar.
Não porque não quisesse - mas porque ninguém nunca ficou por ele.
Com pais sempre ausentes e uma casa grande demais para o silêncio que carrega, Walker cresceu entendendo que apego cobra um preço alto. Charlie é a única constante. O resto vem e vai. Por escolha. Por controle. Pular de pessoa em pessoa é a forma que encontrou de não criar raízes onde sabe que nada permanece.
Uma festa qualquer não deveria significar nada além de barulho, álcool e esquecimento. Matteo foi isso: uma distração bonita demais para durar. Sem laços, sem expectativas, sem depois. Exatamente do jeito que Walker sabe lidar.
Só que o depois chega cedo demais.
Na segunda-feira, Matteo aparece como aluno novo do segundo ano. E Walker, representante do grêmio, é obrigado a guiá-lo pelos corredores da escola - como se já não tivesse guiado aquele garoto para um lugar perigoso demais na própria cabeça. Matteo tenta encerrar tudo com naturalidade: foi só um lance de uma noite.
Walker não discute. Não se explica. Apenas responde com a frieza que aprendeu a usar como armadura:
Ele não come no mesmo prato duas vezes.
Matteo Romanoff Moretti nunca precisou lutar para ser escolhido.
Sempre teve presença, afeto e estabilidade - e, talvez por isso, nunca aprendeu a sustentar o que começa.
Relacionamentos, para ele, só são leves enquanto não exigem constância. Permanecer dá trabalho. Compromisso pesa. Mas Walker não reage como o esperado. Não insiste. Não tenta. Não pede. E isso transforma o que deveria ter acabado em algo incômodo demais para ignorar.
O que começa como curiosidade vira provocação.
O que era jogo vira tensão.
E quando Walker, contra todos os instintos, decide ficar, Matteo descobre tarde demais que algumas pessoas não sobrevivem a idas e vindas.
Nem todo mundo foge porque não sente.
Alguns fogem porque sentir já doeu demais.