mesujeitoaisso
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Silêncio em meu quarto, está tudo simplesmente, apenas, somente, restando o normal.
Tudo foi passando e eu somente assistindo. As consequências da era das telas. E quando tenho esse momento ausente, não consigo mais imaginar. Maldito seja o cinema, que até o fantástico jogou para o visual. Imagens digitais a arte sem erros. Uma imagem louca de mim. Não sei como lidar. Os defeitos visuais nas imagens telas músicas textos. Genial.
Mas e a imagem do invisível, daqueles que não vistos? A imagem das vírgulas, dos pontos, e dos espaços? Principalmente dos espaços. Permitem ser real? Permitem existir?
Nós
Que sobramos dessa hiperideologia, hiperrealidade, hiperacleração, hipercapitalismo. O máximo cruel de um mundo em colapso. Essa é uma história de indignação. De revolta. Com um mundo sendo destruído e ninguém fazendo nada, porque nada é suficiente. Por isso as palavras saem em gritos, e por isso me aproprio do silêncio da vírgula. Penso em tudo. Vejo tudo. Num silêncio que me traz o som do mundo. O canto das árvores. O sopro dos pássaros. As memórias dos bichos. E as vidas dos humanos. Tão vida quanto a terra. É nessa vírgula que me escondo. A vírgula de um país tropical que resiste aos ataques de fora. A vírgula que sou resistindo aos ataques de dentro.
Essa é uma história de medo, de muito medo. O medo da alucinação. O medo da possibilidade. De não saber o que vai acontecer depois. O medo da imaginação livre demais. Ao ponto de criar meu próprio mundo. Meu próprio lugar caminho ogum, caminho comum. Para quem souber que acima de tudo, essa é uma história de esperança e eu sou o protagonista. A esperança de que tudo vai passar. E mais do que isso. Muito mais do que isso. Saberemos como lidar. Seremos artistas.
Recriando a realidade
Acontece que
A realidade
É sempre imponente
E agora, o que é real
É meu quarto
Minha cama
O vazio do teto
E aquela criatura ao fundo me encarando
E a necessidade de ser escutado.