szlabod
Melissa carregava uma beleza que não pedia atenção, mas a recebia mesmo assim. Não era algo gritante - era o tipo de presença que ficava depois que ela passava. O olhar sempre parecia distante, como se estivesse em dois lugares ao mesmo tempo: ali, e em algum ponto do passado que ninguém mais alcançava. Havia nela uma mistura estranha de controle e descuido, como quem aprendeu cedo demais a se virar sozinha, mas nunca deixou de sentir.
A noite anterior ainda pairava sobre seu corpo como um cheiro que não saía da pele. Não era arrependimento, exatamente - era mais uma confusão silenciosa, aquela sensação de ter vivido algo sem realmente estar presente. O álcool, as luzes, o toque desconhecido... tudo tinha acontecido rápido demais para virar memória sólida. Restaram apenas flashes soltos e um vazio que não sabia nomear.
Thiago, por outro lado, era o tipo de homem que se movia como se o mundo lhe devesse espaço. Seguro, excessivamente à vontade, com um charme que beirava a imprudência. As tatuagens não eram só estética - eram marcas de alguém que gostava de deixar registro, de ser lembrado. O sorriso fácil escondia intenções que ele mesmo talvez não parasse para entender.
Entre eles, não houve promessa, nem expectativa. Só um encontro torto, típico das noites que começam com música alta e terminam com silêncio constrangedor. Ainda assim, algo incomodava Melissa: não o que tinha acontecido, mas o quanto aquilo parecia se repetir em sua vida, sempre do mesmo jeito, com pessoas diferentes.
O celular vibrando mais cedo não tinha sido um susto - tinha sido um lembrete. De que nem tudo some quando a noite acaba. Algumas coisas insistem em reaparecer, mesmo quando a gente finge que não viu.
E era exatamente aí que a história começava a apertar.