BLACK-olverrok
Algumas histórias não começam quando percebemos. Começam antes, quando ainda somos pequenos demais para nomear o que sentimos, mas vulneráveis o suficiente para sermos marcados para sempre.
Aos 13 anos, Jenna teve uma epifania silenciosa. Ao cruzar com Emma nos corredores da escola, o mundo não parou, mas algo dentro dela se organizou. Foi um reconhecimento instintivo, um "saber" que desafiava a lógica da idade. Desde aquele dia, Jenna passou a carregar um sentimento constante, uma verdade que não precisava de alarde, apenas de tempo para amadurecer.
Para Emma, no entanto, o encontro foi uma colisão. Aos 12 anos, ela só queria pertencer ao que era comum. A presença de Jenna - fria, observadora, intensa - despertava um desconforto que ela confundiu com ódio. A rejeição foi sua primeira armadura; odiar o jeito que Jenna a olhava era a única forma de silenciar as perguntas que seu corpo ainda não sabia fazer.
Os anos passaram, mas a vida provou ser um kýklos: um movimento circular onde o passado nunca fica realmente para trás. Entre desencontros, outras pessoas e tentativas de fuga, o destino sempre as devolvia ao mesmo ponto de origem.
Algumas histórias nascem na infância.
Outras crescem com o tempo.
E algumas, como a delas, nunca terminam - apenas continuam girando, até que alguém tenha coragem de mudar o sentido do círculo.