Auudrey_12
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Há coisas que o tempo leva.
Fotografias.
Endereços.
Promessas feitas em voz baixa, no escuro, como se o silêncio pudesse guardá-las melhor do que qualquer pessoa.
Há coisas que desaparecem tão devagar que você só percebe quando já não estão mais lá. Quando estende a mão e encontra apenas o contorno do que existia. O negativo de uma ausência.
E há coisas que permanecem.
Mesmo depois de anos.
Mesmo depois da distância.
Mesmo depois da raiva que consome tudo o que toca.
Mesmo depois do silêncio - aquele tipo de silêncio que não é vazio, mas cheio demais de coisas que nunca foram ditas.
Miya Atsumu aprendeu isso da pior maneira possível.
Não de uma vez.
Não com um único golpe que pudesse ser identificado, tratado, superado.
Mas aos poucos. Em camadas. Como algo que apodrece por dentro antes de mostrar qualquer sinal visível na superfície.
Porque algumas perdas não deixam cicatrizes visíveis.
Algumas continuam vivendo dentro de você.
Silenciosas.
Pacientes.
Esperando pelo momento em que você baixa a guarda.
Quando voltou ao Japão depois de cinco anos, acreditou que estava preparado.
Acreditou que o tempo havia feito seu trabalho.
Que a distância havia cumprido a função para a qual fora escolhida.
Estava errado.
O passado não esperava onde ele o havia deixado.
O passado o esperava em cada corredor, em cada rosto conhecido, em cada silêncio que durava um segundo a mais do que deveria.
E, principalmente, nos olhos de uma única pessoa.
Aqueles olhos que ele passara cinco anos tentando esquecer.
Sem conseguir.